Sexo com animal pode dar câncer

Na Paraíba, 27% dos pacientes com câncer de pênis entrevistados admitiram ter feito sexo com animal uma ou mais vezes.

Na Paraíba, 27% dos pacientes com câncer de pênis entrevistados admitiram ter tido uma ou mais relações sexuais com animais, em comparação a 44,9% das estatísticas nacionais.

O sexo com animal é visto com repulsa por muitas pessoas e continua sendo um tabu para muitos grupos. A sociedade finge que não vê; as secretarias de Saúde se omitem; e os praticantes se envergonham – ou negam. A junção desses três fatores resultam no silêncio em relação a esse assunto tão polêmico. O risco está exatamente nesse ponto. Manter relações sexuais com animais aumenta consideravelmente as chances de ser acometido por câncer de pênis.

Um estudo inédito no mundo, coordenado pelo médico urologista Stênio de Cássio Zequi, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, mostra essa relação e alerta para os riscos que os homens se expõem ao dar continuidade à prática milenar de fazer sexo com animais.

Na Paraíba, 27% dos pacientes com câncer de pênis entrevistados pelo estudo admitiram ter tido uma ou mais relações sexuais com animais, em comparação a 44,9% das estatísticas nacionais. Ao todo, no Estado, foram ouvidas mais de 50 pessoas.

Apesar do percentual ser bem menor que o do país como um todo, o alerta é o mesmo: a prática é responsável por dobrar o risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer. “Existe um comportamento cultural, na zona rural dos Estados mais pobres da federação, onde se tornou comum a relação sexual com o animal”, afirmou Zequi, destacando que a falta de informação agrava o problema.

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Pesquisa sobre sexo com animais

De acordo com o coordenador do estudo, foram comparados os hábitos de 492 homens (174 com câncer de pênis e 374 sadios), e constatado que 34,7% já tiveram uma ou mais relações sexuais com animais. Vale ressaltar que essa prática não é a única causadora do câncer de pênis. Segundo Zequi, fimose (não retirada de pele na ponta do órgão sexual masculino); irritações penianas; e o cigarro, são as três principais causas do câncer de pênis.

Quando estudado isoladamente, o sexo com animais, segundo o estudo, é responsável por dobrar o risco de desenvolver a doença. De acordo com o urologista, uma das prováveis explicações para essa associação seria o fato de que a mucosa genital do animal é queratinizada, mais dura que a humana. “Isso pode provocar microtraumas na mucosa do homem e desencadear o câncer”, afirmou o médico.

Ainda de acordo com Stênio Zequi, “outra hipótese é a existência de elementos tóxicos na secreção animal ou de micro-organismos capazes de infectar o ser humano”. Apesar das declarações, Zequi informou que as possíveis causas relatadas são especulações, portanto, ainda não é possível afirmar se há um ou mais vírus ou micro-organismos específicos envolvidos no processo, nem se a prática pode causar danos às mulheres com quem esses homens se relacionam.