Car-T: paciente de João Pessoa passa por novo tratamento contra câncer

Vânia Teixeira, que luta contra o câncer há seis anos, passou pela terapia Car-T, destaque no Fantástico deste domingo (25).

Foto: Reprodução/TV Globo

A história da aposentada Vânia Lucia Alves Teixeira, de João Pessoa, que passou por um novo tratamento contra o câncer, o Car-T, foi destaque no Fantástico deste domingo (25). Após enfrentar um linfoma que retornou depois de ter feito quimioterapia e radioterapia, Vânia foi submetida à terapia em São Paulo.

O novo tratamento é feito utilizando as células de defesa do próprio paciente.

O sangue do paciente é coletado e as células de defesa, chamadas de Linfócitos T, são enviadas para um laboratório onde passam por uma modificação que faz com que elas identifiquem células cancerígenas e destruam-nas.

As células são devolvidas ao paciente por meio de uma infusão que dura cerca de 30 minutos. De volta no organismo, elas se mutiplicam, destruindo as células do câncer.

Vânia Teixeira e Marico Utiyama Egashira, ambas pacientes que passaram pelo tratamento Car-T, foram acompanhadas pelo Fantástico por seis meses.

A paciente de João Pessoa enfrenta o câncer há alguns anos. Começou com um linfoma de pescoço e garganta que sumiu após quimoterapia e radioterapia. Após dois anos, no entanto, a doença retornou e ela precisou fazer um transplante de medula.

Novamente, dois anos depois, os tumores voltaram na coxa esquerda e Vânia chegou a perder o movimento do pé. Foi então que a paciente do Hospital A.C Camargo, em São Paulo, foi apresentada ao novo tratamento.

No dia da infusão, a aposentada afirmou que ainda estava “anestesiada” sobre o tratamento, pois outra possibilidade de cura era algo que até então parecia inacreditável.

“Eu ainda estou anestesiada com relação a esse sentimento. Meu deus será que isso vai acontecer mesmo? É inacreditável”.

O médico Jair Schmidt Filho, do Centro de Referência em Neoplastias Hematológicas do A.C. Camargo, explicou que o tratamento, geralmente recomendado para pacientes em estágio terminal, reduz a probabilidade da doença voltar em cerca de 40 a 45%.

A avaliação sobre a resposta do paciente ao Car-T é feita durante seis meses. No caso de Vânia, seis meses depois, ela já consegue até usar salto e dançar forró. O médico afirmou que a resposta ao tratamento foi completa.

Como ter acesso ao Car-T

O tratamento é voltado para três tipos de câncer leucemia linfóide aguda, linfoma não hodgkin e mieloma.

No Brasil, é feito de duas formas: enviando as células para os EUA ou Europa, com um custo de R$ 2 milhoes, ou participando gratuitamente dos estudos do Hospital Albert Einstein ou do Hemocentro de Ribeirão Preto em Parceria com o Instituto Butantan e Universidade de São Paulo (USP).

No caso de Vânia, ela pagou pelo tratamento e precisou entrar na Justiça para que o plano de saúde fizesse a cobertura.