André Telis

Dia nacional do doador de sangue

Human blood in storage

Dia 25 de novembro é comemorado o dia nacional do doador de sangue. Essa data foi escolhida por que novembro antecedente um período críticos nos bancos de sangue de todo Brasil: férias.  

Justamente nessa época do ano que os estoques de sangue chegam a níveis críticos é que a campanha quer motivar as pessoas a doarem sangue.

Para que um país tenha um estoque seguro de sangue e componentes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 3 e 5% da população devem ser doadores de sangue.

No Brasil, esse percentual atualmente não chega a 2%. No primeiro semestre desse ano, o número ainda encolheu em 13%.

Ninguém está livre de precisar de uma transfusão de sangue ou sofrer um acidente, de passar por uma cirurgia ou por um procedimento médico em que a transfusão seja absolutamente indispensável.

Ninguém tem dúvida que isso é muito importante, doar sangue salva vias, o problema é quando chega nossa vez : sempre tem uma desculpa para não efetivarmos a doação.

Geralmente, a primeira doação está vinculada a algum conhecido ou parente que tá precisando de sangue.  A partir daí, muitos se estimulam pelo ato e acabam virando doadores frequentes.

Uma das exigências para a doação de sangue é o doador pesar pelo menos 50 kg, porque está estabelecido que se pode retirar no máximo 9ml de sangue por quilo de peso. Portanto, com 50 kg, ele pode doar uma bolsa com 450 ml sem nenhuma repercussão negativa para o organismo.

Além disso é necessário:

– estar em boas condições de saúde;
– ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita antes de completar 60 anos;
– ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas;
– evitar alimentação exagerada e gordurosa, nas 3 horas que antecedem a doação;
– apresentar documento original com foto recente, que permita a identificação do doador;
–  menores de idade precisam estar acompanhados do pai ou da mãe;
– quem fez tatuagem, micropigmentação ou colocou piercing pode doar 12 meses após a realização do procedimento, enquanto a endoscopia, após 6 meses;

Quem teve Covid-19, estando totalmente sem sintomas da doença, podem doar sangue 30 dias após a cura.

Um dúvida frequente é em relação às vacinas: Candidatos vacinados contra Covid-19 podem doar: 48 horas após vacina Coronavac (Sinovac/Butantan), 7 dias após vacina Oxford (AstraZeneca/Fiocruz), e 7 dias após vacina da Pfizer/BioNtec.

Na hora da doação, após um exame rápido feito na ponta do dedo com uma picada e avaliado se você não tem anemia, passa-se por uma entrevista rápida.

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Essa  entrevista, chamada triagem clínica,  é feita para  avaliar os antecedentes de risco daquele candidato à doação. Essa entrevista baseia-se numa portaria, numa legislação que rege a doação de sangue no Brasil.

É importante lembrar que, apesar de feita a sorologia (testes para as doenças infecciosas), existem ainda doenças, como certos tipos de hepatite, para as quais não há triagem e que podem representar risco para o receptor. Há, ainda, janelas imunológicas – o teste demora algum tempo depois da infecção para ficar alterado – que precisam ser respeitadas, por menores que sejam elas.

Em alguns casos, os testes laboratoriais realizados servem como motivação para a pessoa doar sangue, o que está errado. Doação de sangue não é triagem clínica de check-up. Existem locais em que se pode fazer de forma anônima os testes das hepatites B e C e para o HIV, por exemplo.

TESTES PREVENTIVOS

Depois de retirada a bolsa, realizam-se  os testes para doenças infecciosas como AIDS, hepatites C e B, doença de Chagas e para o HTLV, um vírus menos frequente, mas importante nas transfusões. Para a AIDS, particularmente, são feitos dois testes.

Esses testes têm a finalidade de proteger quem vai receber o sangue. Em caso de qualquer exame alterado, com uma sorologia positiva, chama-se o doador para uma reavaliação.

INTERVALO ENTRE DOAÇÕES

Para os homens esse intervalo é  de dois meses; já para as mulheres, três meses e dos 60 até os 65 anos, seis meses.

IMPORTÂNCIA DA DOAÇÃO

É  preciso sempre lembrar que precisamos de sangue. Meses de férias, fim de ano, algum fato que quebre a rotina são motivos suficientes para diminuir o número de doadores. Na pandemia, ano passado, o número de doadores caiu cerca de 20% e a demanda aumentou muito.

É preciso entender que as pessoas saudáveis devem doar sangue não só quando tem um parente ou conhecido precisando ou ou porque os estoques estão acabando.