André Telis

Ômicron e a pandemia dentro da pandemia: o que mudou?

Casos de Covid-19 na Paraíba. Foto: Getty Images

Como surgimento da variante ômicron e a pandemia dentro da pandemia tem mudado as relação no mundo com a doença?

O mundo registrou mais de 3,67 milhões de casos de Covid-19 em apenas 24 horas. Isso representa o quinto recorde batido em 10 dias. Só para termos uma comparação, no pico da pandemia, em abril de 2021, mês que registramos maior número de mortes e infectados aqui no país, o maior número de infectados em 1 dia no mundo era de 905 mil, registrados em 25 de abril de 2021.

Os Estados Unidos seguem liderando o ranking de novas infecções (894 mil), seguido por Índia, França, Itália. O Brasil vem em nono lugar, registrou ontem 87 mil novos casos.

A variante Ômicron do novo coronavírus se espalha pelo planeta muito mais depressa que o sarampo.

Segundo o infectologista americano Roby Bhattacharyya do Hospital Geral de Massachusetts, num cenário de ausência de vacinação, um caso de sarampo daria origem a mais 15 casos em apenas 12 dias. Já um caso de Ômicron daria origem a 216 casos no mesmo período. Pelos cálculos do cientista, a velocidade de propagação da variante ômicron é 100 vezes maior que o sarampo.

Da mesma forma que ela se propaga rapidamente, ela tem a capacidade de gerar muitas dúvidas.

Diante do aumento exponencial de casos, somos “surpreendidos” por muitos casos assintomáticos ou com pouca gravidade.

O mundo comprova na escala de milhões de novos casos de Covid-19 gerada pela Ômicron o que a vacinação prometeu fazer desde o início: reduzir o número de casos graves e mortes.

Há quem duvide dessa afirmação e até tente espalhar que vacinas não tem efetividade em deter a pandemia. Mas é fácil observar que diante do cenário de multiplicação de casos, as mortes continuam em baixa e o número de pessoas hospitalizadas por Covid continua estável. Claro que num cenário em que casos de Influenza se multiplicam e confundem, podemos achar que voltamos ao estado inicial da pandemia. Mas há de se comprovar por relatos de diversos serviços que a imensa maioria dos casos graves se concentra em pessoas ainda não vacinadas.

A diretora do Departamento de Imunização da Organização Mundial de Saúde (OMS), Kate O’Brien, disse na semana passada que os não vacinados representam entre 80% a 90% dos pacientes graves e mortos pela Ômicron.

Diversas pesquisas já encontram relação entre infecção por ômicron e menos casos de insuficiência respiratória. Nos Estados Unidos, avaliando infecção em ratos, eles perceberam que enquanto as vias aéreas superiores eram comprometidas ( nariz, garganta e faringe), os tecidos pulmonares eram poupados. Resultados semelhantes também encontrados por pesquisadores e m Hong Kong . No Reino Unido, pesquisas clínicas também mostram a mesma tendência que foi observada na África do Sul (menos hospitalizações e Mortes).

Otimismo prejudica

No entanto, esse excesso de otimismo pode ser prejudicial. Mesmo com casos mais leves, o vírus pode gerar um número nunca visto de pacientes e mesmo assim, termos superlotação de hospitais e serviços de saúde.

O comércio e empresas já vivem a falta de funcionários. Muitos em isolamento por conta da infecção. Semana passada no Brasil, mais de 500 voos foram cancelados por falta de tripulações.

Vamos vivendo um pandemia dentro da pandemia.

Num cenário em que as vacinas se espalham, a nova variante pode causar reinfecção em pessoas já vacinadas. Isso porque eles geram mutações capazes de fugir aos anticorpos gerados pela vacina. Raramente vemos casos graves.

A ômicron já  representa mais de 90% das amostras de estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Usar máscaras e manter as mãos limpas continua sendo indispensável

Será coincidência ou pós festas de final de ano, onde as medidas de distanciamento foram deixadas de lado, pudemos observar curvas ascendentes de infecção.

Talvez ainda seja cedo para comemorar o fim da pandemia.

Provavelmente, as condições ainda sejam bem piores no Brasil. Desde 10 de dezembro estamos navegando numa pandemia sem bússola. Os dados consolidados pelo Ministério da Saúde não são atualizados de forma eficiente desde 10 de dezembro passado.

Vacinação

É possível que a estratégia mais sensata no momento seja vacinar toda a população. Com isso podemos dificultar que surjam nos variantes e que pessoas de grupos de risco com chance de agravar e morrer adoeçam.

Crianças

Diversas entidades científicas que lidam com crianças são categóricas em defender a vacinação de crianças. Eles acreditam que enquanto toda a população não for vacinada, o vírus será um vizinho capaz de se mutar e tornar a fazer estragos.

Outras variantes

No Brasil, a variante Gamma fez o maior número de vítimas. No entanto, ela pegou uma população ainda não vacinada.

A Delta, mais contagiosa, não causou tantas mortes e a Ômicron, mais transmissível que a Delta, ao que se espera, é ainda menos letal.

Entre 2019 e 2020 eu escrevia nesse blog sobre o a covid 2020 -2021. Vivíamos na época o rejuvenescimento da pandemia e passou a atacar pessoas mais jovens. Atualmente estamos na fase Pandemia dentro da pandemia.

Bem provável que tenhamos que pensar sobre a Covid 2022- 2023…Ou seja, uma covid sem data para acabar.