PLENO PODER
Uso eleitoreiro das reivindicações da PM coloca em risco a sociedade e prejudica corporação
Tentativa de colocar a tropa contra o Governo repercute na imprensa nacional
Publicado em 24/01/2022 às 20:36 | Atualizado em 24/01/2022 às 20:47


A radicalização do movimento dentro das unidades da Polícia Militar é perigosa e não contribui em absolutamente nada para a conquista de avanços da categoria. Os últimos episódios na Paraíba mostram, de forma clara, o uso eleitoreiro das reivindicações dos militares por parte de lideranças políticas.
Vídeos, áudios e um discurso que incentiva a paralisação das atividades e coloca a tropa contra o Governo. As mensagens, inclusive, têm ganhado destaque - negativo - na imprensa nacional.
E ninguém está aqui dizendo que os pleitos apresentados pelos militares paraibanos não são legítimos. Longe disso. As reivindicações são históricas e a dívida, sobretudo com aqueles já inativos, também.
Mas é fato inequívoco também que a gestão estadual demonstrou estar disposta a ouvir e atender os clamores da tropa. E dentro de um processo de negociação, de diálogo, todo mundo sabe: é preciso estar aberto a renúncias e para a compreensão dos argumentos alheios.
Coisa que os líderes do movimento, em especial o deputado Cabo Gilberto (PSL), não têm demonstrado ter desde o início das discussões.
Busca-se o confronto, em vez do consenso. A impressão é de que não há interesse em solucionar as demandas, mas sim em dar continuidade ao enfrentamento.
O que o movimento e parte dos militares não perceberam ainda é que a politização e a tentativa de paralisar a Segurança Pública na Paraíba colocam em risco a sociedade e prejudicam, e muito, a própria corporação. Isso porque a segurança dos cidadãos não pode servir de 'moeda de troca' para um debate eleitoreiro.
Diante da radicalização e de uma 'greve branca' os pleitos, antes legítimos, perdem a essência.
A sociedade não pode ser submetida à própria sorte. A opinião pública, que é favorável à valorização da polícia, não aceitará ser 'produto' de um conflito infrutífero - com o qual se busca desgastar o Governo, nem que seja às custas do caos social.
Comentários