POLÍTICA
"Faltou acolhimento", diz juíza que determinou tratamento psiquiátrico a homem morto por leoa
Na CBN, Conceição Marsicano, que atua nas audiências de custódia, disse que houve omissão do poder público.
Publicado em 01/12/2025 às 12:51 | Atualizado em 05/12/2025 às 10:07

Titular da 2ª Vara de Garantias, a juíza Conceição Marsicano disse nesta segunda-feira (01), em entrevista à CBN João Pessoa, que determinou o atendimento psiquiátrico adequado para Gerson Melo Machado, mas ainda assim "faltou acolhimento" para o jovem.
De acordo com a juíza, o primeiro passo no caso de Gerson foi uma avaliação psicossocial. Posteriormente, uma decisão judicial determinou acolhimento psicológico, o que segundo ela, não aconteceu da forma adequada.
Conceição Marsicano disse que, ao tomar conhecimento das omissões do poder público, tomou novas decisões no processo. Ele estava preso no Presídio do Róger por crime de furto, local por onde passou diversas vezes.
"É uma situação bem particular, pois no caso dele, quando tomei conhecimento, ele estava no presídio sem ter feito exames e nenhuma avaliação", informou.
A magistrada disse que fez contatos com as secretarias de saúde do estado e do município para entender a omissão em relação ao caso do paciente.
"Não tínhamos um laudo formal que atestava o problema de saúde mental, mas de posse desse documento, tirei ele do presídio. Ele precisava ir para outra fase do tratamento, então eu encaminhei ele para o CAPS AD, que deveria ter acolhido ele em caráter excepcional [mas isso não aconteceu]", disse.
A magistrada também citou dificuldades em obter informações sobre vagas disponíveis em unidades terapêuticas. "Eu já mendei perguntar e não tive resposta. É preciso que os gestores tenham essa resposta", opinou.
A decisão
A primeira decisão da magistrada sobre o caso Gerson ocorreu ainda no mês de junho.
Segundo a decisão, que o Jornal da Paraíba teve acesso, o jovem deveria receber internação imediata e tratamento psiquiátrico em unidade da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
A ordem apontava que o rapaz apresentava grave desorganização psíquica e precisava de cuidado intensivo para preservar a própria integridade.
"Determino o encaminhamento para a unidade de acolhimento institucional, para tratamento intensivo e permanente, devendo encaminhar laudo do período de tratamento e as medidas aplicadas ao Juízo processante", dizia a decisão.
À Rede Paraíba de Comunicação, Janaína D'emery, diretora do Caps Caminhar, explicou como foi o atendimento no caso de Gerson.
“O Caps é um dos dispositivos para tratamento, não é de moradia. A gente tem a atenção-dia, ou ele vem nas segundas e na terça, ou ele vem só uma vez na semana. Ele não queria de hipótese alguma ficar no 24 horas, e aí ofertamos o intensivo de segunda a segunda. Isso também inclui o sábado e o domingo, para ele vir, participar das atividades e sair também depois da última medicação”, disse a diretora do Caps Caminhar.

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