COTIDIANO
Homem morto por leoa em zoológico de João Pessoa sonhava em domar leões, diz conselheira
Verônica Oliveira acompanhou o jovem por vários anos. Gerson de Melo morreu neste domingo (30), no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa.
Publicado em 01/12/2025 às 10:57

Gerson de Melo Machado, de 19 anos, homem que morreu neste domingo (30), após invadir jaula de leoa no zoológico do Parque Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa, tinha um fascínio por leões e desejava visitar um safari na África. A informação é de Verônica Oliveira, conselheira tutelar que acompanhou o jovem por vários anos.
“Ele tinha falas desde muito pequeno de que ia para a África, para um safari, porque ele ia domar os leões”.
A conselheira descreveu Gerson de Melo como alguém apaixonado por animais. “Ele tinha um fascínio pelos animais. Certa vez, eu falei: ‘Gerson, olha, eu vou precisar acolher você. Você vem 2 horas’. E ele obedecia. Quando Gerson chegou aqui, chegou com cachorro: ‘só vou se eu levar o cachorro’, ele disse”.
Verônica Oliveira contou que, quando recebeu Gerson, ele tinha sido resgatado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), pois estava na BR, após ter fugido de outro acolhimento. Ele e os quatro irmãos foram retirados da mãe pela Justiça, porque ela sofre de esquizofrenia grave. A avó também possui transtornos psiquiátricos.
“A mãe justamente perdeu o poder familiar dos cinco filhos, porque ela tinha e tem uma esquizofrenia bem grave. As duas avós também tinham problemas mentais. Gerson não tinha família extensa que pudesse cuidar dele”.
Os quatro irmãos foram adotados, mas Gerson não, pois, na época, já apresentava sinais de problemas psiquiátricos. “Gerson não foi adotado justamente porque, segundo a coordenação desta instituição, já apresentava sinais de transtornos mentais”.
Então, Gerson quando chegou aqui, para ele chegar aqui, ele disse à Polícia Rodoviária Federal que tinha fugido de casa, que queria voltar para casa da mãe, que estava com medo e que a mãe morava em Mangabeira.
A conselheira tutelar afirmou que Gerson não tinha noção do perigo e que, muitas vezes, era usado por outras pessoas para cometer pequenos delitos. O jovem tinha diversas passagens pela polícia, a última foi há uma semana, quando ele atirou uma pedra em uma viatura da Polícia Militar.
“Ele foi usado, muitas vezes, para alguns atos, porque ele não tinha noção do perigo. Então, ele achava que nada ia acontecer com ele”.
Ao completar 18 anos, Gerson saiu da responsabilidade do Conselho Tutelar. Por não ter familiares próximos, o jovem ficou sem acolhimento, pelas ruas de João Pessoa. Verônica Oliveira destacou a necessidade de uma casa de acolhimento para esses casos, como o de Gerson, em que a criança acolhida chega à maioridade, mas apresenta questões psiquiátricas ou outras particularidades que a torna vulnerável.
“Nesses albergues, eles teriam mais autonomia, mas teriam um acompanhamento mais de perto”.
Relembre o caso

Um homem foi morto após ser atacado por uma leoa após entrar em uma jaula no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa, neste domingo (30). As informações foram confirmadas pelo próprio parque para a TV Cabo Branco.
A Prefeitura de João Pessoa informou, em nota, que o homem escalou rapidamente uma parede de mais de 6 metros, passou pelas grades de segurança, usou uma árvore como apoio e entrou no recinto da leoa.
No momento em que ele entrou na jaula, o parque estava aberto e recebia visitantes. Vídeos feitos por visitantes mostram o homem subindo por uma estrutura lateral da jaula. Depois, ele usa a árvore como apoio para entrar no espaço. Logo em seguida, é atacado pela leoa.

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