COTIDIANO
Hytalo Santos: influenciador e o marido viram réus por trabalho análogo à escravidão
Justiça aceitou denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT) e investiga a parte trabalhista do caso Hytalo Santos, que é reu na esfera criminal.
Publicado em 12/12/2025 às 15:38 | Atualizado em 12/12/2025 às 18:30

A Justiça do Trabalho tornou réus o influenciador Hytalo Santos e o marido dele, Israel Vicente, conhecido como Euro, após denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT), por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. A informação foi confirmada ao Jornal da Paraíba pelo MPT.
O Jornal da Paraíba entrou em contato com a defesa dos influenciadores, que informou que o MPT não tem "legitimidade para promover tal ação civil, age com base em informações e fatos desconectados da realidade, uma vez que a redução análoga à escravidão somente pode ser demonstrada quando existem condições degradantes nas quais as vítimas estariam inseridas, e isso nunca foi demonstrado".
Esse processo em que os influenciadores agora são réus faz parte de outro ramo da investigação contra o influenciador, diferente da esfera criminal, onde ele já é reu por produzir conteúdos de exploração sexual com adolescentes.
Na denúncia, o MPT aponta as seguintes condutas:
- Confinamento e isolamento familiar;
- Controle de comunicação;
- Privação de liberdade;
- Rotina exaustiva;
- Ausência de remuneração;
- Coação psicológica;
- Ingerências sobre a definição de identidade de gênero e orientação sexual;
- Supressão da autonomia pessoal e financeira.
O MPT também descreve que houve exposição sexualizada das menores de idade em redes sociais, com participação em festas e ambientes inadequados, monetização da imagem das vítimas e procedimentos estéticos voltados a potencializar o apelo sexual.
Pedido de indenização
No pedido feito pelo MPT, o órgão apontou que solicitou à Justiça o pagamento de indenização e direitos morais coletivos, nas seguintes situações:
- o pagamento de indenização por dano moral coletivo, no montante de R$ 12 milhões;
- a reparação dos danos individualmente causados às crianças e adolescentes vítimas de exploração, mediante o pagamento de indenizações individuais que variam de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões.
No caso das vítimas que ainda não atingiram a maioridade, o órgão solicitou que o montante da indenização individual seja depositado em caderneta de poupança especialmente aberta para esse fim, sendo que o dinheiro só pode ser movimentado após os menores fazerem 18 anos.
MPT enxergou responsabilidade dos pais dos menores
Segundo o MPT, os pais e mães dos adolescentes também tem certa parcela de responsabilidade sobre a prática de Hytalo Santos e do marido dele.
Conforme o entendimento do órgão, os pais recebiam benefícios materiais, como presentes e ajuda financeira mensal, "entregaram seus filhos a terceiros, de forma manifestamente ilegal". Também foi apontado que os pais:
- permitiram que seus filhos passassem a residir a centenas de quilômetros de sua cidade natal, rompendo, radicalmente, os laços de convivência familiar e social dos adolescentes;
- submeteram-se, passivamente, ao regime de isolamento familiar imposto por Hytalo Santos” e “Euro, "alijando-se da missão de educar seus filhos";
- se afastaram da função de supervisionar a vida escolar e a saúde dos filhos;
- permitiram que seus filhos fossem submetidos a múltiplas formas de violência, incluindo exploração sexual e trabalho em condições análogas à de escravo.
No entanto, o MPT optou "por não imputar aos genitores responsabilidade de caráter patrimonial/pecuniário" na esfera da Justiça, mas afirmou que as condutas podem ser responsabilizadas formalmente na esfera criminal.
Apesar disso, foram requisitadas para a Justiça uma série de limitações para os pais imporem em relação aos menores de idade, como:
- não permitir que menores de 18 anos participem de conteúdos digitais com conotação sexual;
- não permitir que sejam submetidos a exploração sexual;
- não permitir que sejam colocados em qualquer das piores formas de trabalho infantil.
O texto do MPT também diz que caso essas recomendações, se aceitas pela Justiça, sejam descumpridas, os pais possam pagar multa.
Consentimento dos menores de idade é "irrelevante", assim como dos pais, diz MPT
Consetimento dos menores é "irrelevante", aponta MPT
Sobre a hipótese de que houve consentimento de alguns menores de idade na produção dos vídeos de Hytalo Santos, assim como consentimento dos pais de alguns menores, o MPT apontou isso como sendo "irrelevante", pois os adolescentes não têm condições de reconhecer a violência sofrida e os pais estavam sujeitos à benefícios do influenciador.
A pedido do MPT, a Justiça do Trabalho expediu ofícios para diversos órgãos de garantia do bem-estar de crianças e adolescentes para imediato fornecimento de assistência psicológica, médica e social.

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