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COTIDIANO

Mãe e esposa de vítima relatam últimos momentos de trabalhador da Bahia morto em João Pessoa

Jovem baiano de 23 anos estava há cerca de 10 dias na Paraíba quando desapareceu com outros três colegas.

Publicado em 04/04/2026 às 17:06


				
					Mãe e esposa de vítima relatam últimos momentos de trabalhador da Bahia morto em João Pessoa
Reprodução/TV Cabo Branco

A mãe e a esposa de Gismário Santos, de 23 anos, um dos quatro trabalhadores baianos encontrados mortos em João Pessoa, relataram à TV Cabo Branco, neste sábado (4), detalhes sobre os últimos contatos com a vítima e as circunstâncias da viagem para a Paraíba.

O grupo estava desaparecido desde o início da semana e foi localizado em uma área de mata, com sinais de execução.

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As declarações foram dadas durante a chegada ao Instituto Médico Legal (IML), onde familiares aguardavam a liberação do corpo de Gismário Santos, de 23 anos. A mãe, Samara Gonçalves, e a esposa, Lavínia de Souza, afirmaram que o jovem havia se mudado recentemente para o estado a trabalho.

Segundo Samara, o filho já veio empregado, acompanhando uma empresa do setor de construção civil. Ele saiu de Morro do Chapéu (BA), passou por Brumado (BA) e, em seguida, foi transferido para a Paraíba, onde estava há cerca de 10 dias.

A mãe relatou ainda que a família tinha poucas informações sobre as pessoas com quem o trabalhador dividia moradia no estado, conhecendo apenas um colega, também natural da mesma cidade.

A esposa contou que a viagem foi definida de forma repentina, poucos dias antes da ida. Segundo ela, o marido demonstrou insegurança por não conhecer a região.

“Ele só soube na sexta-feira à noite que viria para a Paraíba, mas nem sabia qual cidade. Ele ficou cismado, porque não conhecia ninguém aqui”, afirmou.

De acordo com Lavínia, Gismário trabalhava na empresa desde outubro do ano passado e chegou a cogitar não viajar, mas decidiu seguir com a equipe.


				
					Mãe e esposa de vítima relatam últimos momentos de trabalhador da Bahia morto em João Pessoa
Trabalhadores estavam desaparecidos desde a terça-feira (31).. Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Último contato

A esposa também descreveu como foi o último contato, ocorrido na noite da terça-feira (31), pouco antes do desaparecimento. Segundo ela, a conversa foi tranquila e não indicava qualquer situação de risco.

“A gente conversou normal. Ele disse que ia jantar e depois me respondia. Mandou um áudio tranquilo”, disse.

Após isso, o trabalhador não respondeu mais às mensagens. As ligações feitas foram recusadas, o que inicialmente levou a família a suspeitar de um problema no celular.

“Achei que era o aparelho, mas depois veio a pior notícia das nossas vidas”, relatou.

Os corpos das quatro vítimas já foram liberados do Instituto Médico Legal (IML) em João Pessoa, e o corpo de Gismário será velado e sepultado na Bahia, assim como o de Sidclei. Ainda não há informações sobre o translado dos corpos de Cleibson Jaques e Lucas Bispo.

Relembre o caso


				
					Mãe e esposa de vítima relatam últimos momentos de trabalhador da Bahia morto em João Pessoa
Corpos encontrados em brisamar,. Reprodução/TV Cabo Branco

Quatro corpos foram encontrados em uma área de mata no bairro de Brisamar, em João Pessoa, na madrugada de sexta-feira (3).

A perícia inicial indica que as vítimas foram mortas há cerca de dois dias, por disparos de arma de fogo. Três delas estavam com as mãos amarradas para trás. Ainda de acordo com a polícia, o carro teria sido roubado no município de Santa Rita, na Grande João Pessoa.

Devido ao avançado estado de decomposição, não foi possível identificar visualmente as vítimas nem a quantidade de perfurações. Exames cadavéricos foram necessários para confirmar as identidades.

Ainda segundo a delegada, duas vítimas estavam com documentos, mas não há confirmação se pertencem, de fato, a elas. Segundo a Polícia Civil, o caso segue sob investigação.

Carro abandonado

Segundo a Polícia Civil, moradores da região denunciaram um carro abandonado. O veículo, localizado por uma guarnição da Polícia Militar, apresentava sinais de sujeira e forte odor. A partir disso, equipes iniciaram buscas nas proximidades e encontraram os corpos em uma área de mata dentro de uma granja do bairro.

Ainda de acordo com a polícia, o carro teria sido roubado no município de Santa Rita, na Grande João Pessoa.

Uma câmera de segurança registrou o momento em que quatro suspeitos fugiram em apenas uma moto, depois de terem abandonado os quatro corpos no bairro do Brisamar.

Moradores da Rua Juvenal Coelho, na madrugada desta sexta-feira (3), ouviram o barulho de uma buzina muito forte e gritos.

Desaparecimento das vítimas

A Polícia Civil da Paraíba já investigava o desaparecimento dos quatro trabalhadores da construção civil, naturais da Bahia, que estavam hospedados em uma casa de apoio em Bayeux, na Grande João Pessoa. O caso foi registrado no início da manhã de quinta-feira (2), mas os trabalhadores estavam desaparecidos desde a terça-feira (31).

Os desaparecidos são de cidades da Bahia, e foram identificados: Cleibson Jaques, 31 anos e Lucas Bispo (que não teve a idade revelada) são de Campo Formoso. Sidclei Silva, 21, e Gismário Santos, 23, são de Morro do Chapéu. As cidades ficam localizadas próximas à Chapada Diamantina, no Norte da Bahia.

De acordo com as primeiras informações, os homens estavam há cerca de dois meses trabalhando em uma obra e residiam no imóvel destinado a trabalhadores da construção civil. Na madrugada da quarta-feira (1º), o veículo responsável por transportá-los até o local de trabalho chegou ao endereço, mas nenhum deles foi encontrado.

Ao entrar na residência, o motorista percebeu que o local estava revirado, com sinais de desordem, o que levantou suspeitas e levou ao acionamento da polícia.

Em entrevista à TV Cabo Branco, a esposa de uma das vítimas relatou que falava com o marido por chamada de vídeo momentos antes do desaparecimento. Segundo ela, a ligação foi interrompida de forma repentina.

De acordo com o relato dela, o trabalhador já se preparava para dormir quando pessoas teriam invadido o quarto, acendendo a luz e provocando um momento de tensão. A mulher afirmou ainda ter ouvido vozes e gritos antes da ligação ser encerrada.

"Ele jogou o celular, ficou tudo escuro, não deu para ver nada, mas eu escutei muitos homens gritando. Ele não mexe com nada, ele não é envolvido, ele não fuma, ele não bebe. Até então, ficava todo minuto na minha mente a cena do rosto dele, em pânico, na hora que acendeu a luz do quarto onde ele estava deitado", conta a esposa.

Imagem

Jornal da Paraíba

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