COTIDIANO
Dono de pizzaria indiciado: entenda o caso que causou morte de mulher e surto em Pombal
Polícia Civil revelou a causa da morte da mulher, além de informações relacionadas a bactérias encontradas nas pizzas consumidas por pessoas.
Publicado em 18/04/2026 às 6:44

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de uma mulher e internação de mais de 100 pessoas com casos de intoxicação alimentar após comerem em uma pizzaria na cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba. A informação foi divulgada na sexta-feira (17). O dono do estabelecimento, Marcos Antônio, foi indiciado pelo crime de vender alimentos impróprios para o consumo.
Além do inidiciamento, a Polícia Civil divulgou a causa da morte da mulher e confirmou também que bactérias foram encontradas em alimentos, como o molho de tomate.
O Jornal da Paraíba separou as principais informações, desde o início do caso, com as investigações que foram feitas e também com os próximos passos, a partir do envio do inquérito para a Justiça.
O início
Em 15 de março, mais de 100 pessoas comeram alimentos na pizzaria de Pombal e, já naquele dia, algumas delas começaram a apresentar sintomas e precisar de atendimento médico.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde à época, os pacientes apresentaram sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar geral. Os atendimentos ocorreram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município e no Hospital Regional de Pombal.
Nas unidades de saúde os pacientes relataram em comum o consumo de pizza do mesmo estabelecimento comercial da cidade, consumida na noite do domingo.
Uma inspeção inicial da Vigilância de Sanitária Municipal foi feita no estabelecimento, que foi interditado e, um dia depois, a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) foi até Pombal para realizar uma outra vistoria no local.
A conclusão do inquérito
Três órgãos começaram a investigar oficialmente o caso em Pombal. A Polícia Civil, que concluiu o inquérito no âmbito criminal, a Agência Estadual de Vigilância Sanitária do estado (Agevisa-PB), responsável pelo âmbito da saúde e também o Ministério Público da Paraíba (MPPB), que abriu um procedimento administrativo.
No inquérito, além do indiciamento do dono pelo crime de vender alimentos impróprios para consumo, os laudos periciais do Instituto da Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) também foram divulgados.
Conforme a polícia, os laudos confirmaram a presença de contaminação bacteriana em exames realizados nas vítimas. Também foi divulgado o resultado de exames nos alimentos consumidos na pizzaria no dia 15 de março. Esses exames identificaram a presença de bactérias como Escherichia coli e estafilococos coagulase no molho de tomate e nas pizzas analisadas.
Já a carne, quando examinada ainda na origem, não apresentou contaminação, indicando, segundo a Polícia Civil, que o problema ocorreu durante o processo de manipulação dos alimentos dentro da pizzaria.
A pizzaria La Favoritta permanece interditado pela Vigilância Sanitária, e a Polícia Civil também representou pela interdição judicial do estabelecimento. O inquérito foi encaminhado para a Justiça da Paraíba, que vai decidir dar encaminhamento ou não.
Dono vai responder por venda de alimentos impróprios 117 vezes
Conforme o delegado Rodrigo Barbosa, que investigou o caso, o dono vai responder por cada um dos atendimentos oriundos do problema, pelo crime de venda de alimentos impróprios para consumo sem intenção de ferir. Veja o vídeo acima.
"O proprietário estará sendo responsabilizado na verdade, aqui, por um crime contra as relações de consumo, que seria vender ou oferecer a venda de produto nocivo ou impróprio ao consumo, ainda que culposamente. Estará respondendo por esse crime 117 vezes, em face das mais de 100 pessoas que precisaram de socorro médico", explicou.
Ao Jornal da Paraíba, a defesa do dono da pizzaria La Favoritta disse não ter tido acesso ao inquérito pelo sistema eletrônico e que vai se pronunciar quando isso acontecer.
Causa da morte da mulher
Também foi divulgado que o óbito de Raíssa Bezerra, de 44 anos, aconteceu em decorrência de infecção intestinal aguda grave. Os exames descartaram a presença de substâncias tóxicas exógenas, como venenos ou entorpecentes.
De acordo com a investigação, "não foi possível" individualizar eventual conduta criminosa que tenha causado diretamente a contaminação. Por isso, o inquérito concluiu por não ser possível atribuir o resultado morte ou as lesões às vítimas ao proprietário do estabelecimento ou outras pessoas.
Raísa Bezerra era servidora da prefeitura de Pombal e atuava na Secretaria Municipal de Meio Ambiente. "Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida", disse a prima de Raíssa, Izabele Freitas.
Em nota, a Prefeitura Municipal de Pombal lamentou a morte da servidora pública e se solidarizou com familiares e amigos.
O namorado de Raíssa, André Marreiro, de 39 anos, que também passou mal, sobreviveu e agora lida com a dor de perder a companheira com quem namorava há oito meses.
"Queremos uma resposta do que aconteceu, porque é muito difícil aceitar que eu perdi Raíssa por causa de uma fatia de pizza", desabafou André.
Em um vídeo, André Marreiro disse que a namorada não tinha comorbidades prévias e que chegou a visitá-la antes de morte. Ele contou que ela ficou muito agitada e preocupada. Pouco depois, ela foi entubada e morreu.
Insetos foram encontrados em visita técnica

O estabelecimento foi interditado pela Vigilância Sanitária de Pombal teve o registros de insetos e falta de documentação obrigatória, além de alimentos mal-acondicionados, condição térmica inadequada e outras irregularidades.
Segundo o inspetor sanitário da Agevisa, Sérgio Freitas, o local apresentava falhas que impediam qualquer funcionamento.
"O estabelecimento estava em total desconformidade com a legislação sanitária. Não tinha condições de funcionar em hipótese alguma. Com relação à falta de higiene, não foi apresentado nenhum documento comprobatório de protocolos. Foram observados insetos, conforto térmico terrível, falta de conservação adequada dos alimentos, equipamentos oxidados e reaproveitamento de vasilhames de alimentos já utilizados. Está em total desconformidade”, afirmou Sérgio Freitas.
O que disse o dono da pizzaria
Em um vídeo enviado à época ao Jornal da Paraíba pela advogada Raquel Dantas, que representa Marcos Antônio, dono da pizzaria, ele disse que lamentava a morte da mulher e todo o transtorno causado para as pessoas que tiveram que passar por atendimento médico, e afirmou também que colaborava com a investigação.

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