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COTIDIANO

Audiência de instrução de acusado de mandar matar casal de idosos em Sapé ocorre nesta terça (19)

Ailton Nascimento é acusado de mandar matar casal de idosos para ficar com o imóvel.

Publicado em 19/05/2026 às 10:08


					Audiência de instrução de acusado de mandar matar casal de idosos em Sapé ocorre nesta terça (19)
(Foto: reprodução / TV Cabo Branco)

A audiência de instrução de Ailton Nascimento, apontado pela Polícia Civil como mandante da morte do casal de idosos Nelson e Célia Honorato e da tentativa de assassinato do filho deles, acontece na manhã desta terça-feira (19), na 1ª Vara Cível da Comarca de Sapé, na Paraíba.

Ailton é acusado de se apresentar como corretor de imóveis e ganhar a confiança do casal, que tentava vender a casa em Sapé para se mudar para João Pessoa. Segundo a Polícia Civil, a motivação do crime seria ficar com o imóvel.

Outros cinco suspeitos por envolvimento no crime já foram presos. O mais recente foi um homem de 50 anos, preso em outubro de 2025, no bairro Oitizeiro, em João Pessoa. Segundo a polícia, ele teria participado da execução de Célia Honorato.

De acordo com as investigações, no dia do crime, Ailton chegou à residência acompanhado de Nicolas Jefferson, de 19 anos, suspeito de executar a morte dos idosos e apresentado como interessado em alugar uma casa nos fundos do terreno. Durante a visita, Nelson Honorato foi atingido com golpes de martelo e morreu no local.

Célia Honorato foi morta depois, porque não estava em casa no momento do assassinato do marido. Segundo a polícia, ela foi chamada aos fundos da residência e atacada pelos envolvidos. O filho do casal, um jovem autista de 27 anos, ficou trancado em um quarto e sofreu uma tentativa de homicídio dias depois, mas sobreviveu.

Em 29 de setembro de 2025, o Instituto de Polícia Científica (IPC) confirmou que dois corpos encontrados em uma área de mata, em Sapé, são dos idosos desaparecidos.

Desaparecimento do casal de idosos


					Audiência de instrução de acusado de mandar matar casal de idosos em Sapé ocorre nesta terça (19)
Casal de idosos desaparecidos em Sapé. TV Cabo Branco/Reprodução

De acordo com a Polícia Civil, Célia e Nelson Honorato desapareceram em 18 de agosto. O delegado Márcio Pereira informou que nesse dia ocorreu o assassinato de ambos.

Conforme as investigações, Ailton Emanuel tinha uma procuração para vender o imóvel do casal em Sapé, já que ambos tinham o intuito de deixar a cidade e morar em João Pessoa, juntos ao seu filho de 27 anos, que tem autismo.

Durante o processo de venda da casa, Ailton, que se apresentava como corretor de imóveis, chegou com Nicolas Jefferson, de 19 anos, suspeito de executar a morte dos idosos, e o identificou como alguém que estava interessado em alugar uma casa nos fundos do imóvel das vítimas para poder entrar na casa.

Ao receber a visita de Ailton e de Nicolas, Nelson Honorato levou ambos para vistoriar o imóvel. Nesse momento, Nicolas desferiu um golpe com um martelo na cabeça do idoso, mas não conseguiu concluir. Então, Ailton Emanuel teria terminado a execução, atingindo o idoso com pelo menos 10 golpes de martelo.

Posteriormente, Célia, que não estava em casa durante a morte do marido, pois realizava uma consulta de saúde, foi também assasinada. De acordo com a polícia, Ailton disse que o marido dela estava com um potencial inquilino e pediu para que ela fosse aos fundos da casa. Ao chegar lá, Nicolas também desferiu marteladas na cabeça da idosa, que morreu.

O filho das vítimas, um jovem com autismo de 27 anos, foi trancado no quarto pelos suspeitos.

Após a morte do casal, Ailton e Nicolas levaram os corpos para uma área de mata, onde foram enterrados estando enrolados por cobertores. Ao ser preso, no dia 17 de setembro, Nicolas confessou o crime e apontou Ailton, que tinha sido detido antes, como mandante.

Martelo emprestado foi utilizado como arma do crime

A Polícia Civil encontrou um martelo usado para matar o casal de idosos que desapareceu em Sapé. O delegado disse ao Jornal da Paraíba que o suspeito pegou o martelo emprestado em uma macenaria, alegando que seria para fazer um serviço em casa.

O suspeito foi encontrado em uma clínica de reabilitação, em Campina Grande, onde foi preso.

Filho do casal de idosos em Sapé sofreu tentativa de assassinato

Durante o assassinato dos pais, o filho de 27 anos ficou preso em um dos quartos do imóvel que Ailton tentava vender. No dia 22 de agosto, o jovem, que também é autista, disse que foi informado pelo falso corretor, que seria levado até o hospital para visitar os pais, que estariam doentes.

No entanto, foi deixado em uma área de mata onde foi agredido com marteladas e chegou a fingir que estava desacordado para que o agressor parasse de golpeá-lo. Enquanto a Polícia Militar realizava uma ronda pela região, o jovem foi encontrado ensanguentado.

Um outro homem, de 25 anos, que também está preso, confessou ter sido o autor da tentativa de homicídio do jovem e disse que foi contratado pelo suposto corretor de imóveis para matar o filho do casal desaparecido.

Falso corretor foi preso na Bahia

No dia 26 de agosto, Ailton Nascimento, principal suspeito pela morte dos idosos e da tentativa de assassinato do filho deles, foi preso dentro de um ônibus em Jaguaquara, no interior da Bahia, na BR-116, com destino para Vitória da Conquista.

Ailton Emanuel, apontado como mandante da execução de um casal de idosos e uma tentativa de homicídio contra o filho deles, em Sapé, ajudou a matar uma das vítimas. A informação foi compartilhada pelo delegado Márcio Pereira, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (19).

A PRF encaminhou o suspeito para a delegacia da Polícia Civil na cidade de Jaguaquara, onde o homem passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida. Dias depois ele foi transferido para a Paraíba, onde está preso. Uma equipe de policiais de Sapé foram os responsáveis pela transferência do suspeito para a cidade.

O homem também é alvo do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci-PB) pela suspeita de exercer irregularmente a profissão de corretor de imóveis.

Em nota, o Creci-PB afirmou uma equipe de fiscalização foi enviada ao município e, após consulta aos sistemas internos do Conselho, foi confirmado que o investigado não possui registro profissional.

Ainda segundo o Creci, as medidas legais cabíveis serão adotadas junto às autoridades competentes, com o objetivo de resguardar a sociedade e proteger a profissão.

Imagem

Janinne Vivian

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