COTIDIANO
Áudios mostram atuação de agente da Polícia Civil em desvio de drogas que indiciou três na PB
Polícia Civil indiciou o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge por furto qualificado, abuso de autoridade e outros.
Publicado em 16/07/2026 às 15:05
Áudios de um dos inquéritos da Polícia Civil que indiciou o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires, conhecido como "Bomba" e Eduardo Jorge, conhecido como "Mão Branca", mostram a atuação do grupo criminoso em um esquema de desvios de drogas da corporação.
Todos os citados foram indiciados nessa investigação, de acordo com documento que o g1 teve acesso nesta quinta-feira (16). Ainda há um outro inquérito, em que tanto o delegado quanto os agentes da Polícia Civil são investigados pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Nos áudios em questão, quem aparece falando é o agente Everton Aires, o Bomba. Ele explica os tipos de drogas que o grupo tinha. O interlocutor dele era o também investigado João Wicttor Alves de Lima.
De acordo com o inquérito, a conversa ocorreu no dia 12 de setembro de 2025, às 14h13, poucas horas após o grupo investigado ter invadido um apartamento no bairro João Paulo II, em João Pessoa, para subtrair entorpecentes.
"Foi uma lapada que rodou muita flor, floripa, natural, e no meio tinha esse material... aí eu separei (...) Pô, essa parte todinha de natural, essa parte floripa, essa parte toda aí eu deixei com o meu menino ali. Aí meio quilo de pó... e o pó é bom, visse? E o haxixe eu deixei separado, pra deixar contigo. Porque eu sei que o menino já é mais forte nisso aí. Tá lá em casa", disse.
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Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge estão presos temporariamente desde a Operação Perfídus, deflagrada no início de junho. De acordo com o relatório final do inquérito o delegado e os agentes foram indiciados especificamente pelos crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.

A defesa de Everton Aires informou que não tem conhecimento sobre a conclusão do inquérito. A defesa de Eduardo Jorge declarou que "até aqui" não consegue se "pronunciar sobre o conteúdo de possível pedido de prisão, desejando apenas que possamos ter um processo democrático, justo e honesto".
O Jornal da Paraíba procurou adefesas de Braz Morroni, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Com a conclusão de um dos inquéritos, a Polícia Civil afirmou que "qualquer outra medida cautelar é insuficiente" e solicitou também a prisão preventiva dos três suspeitos.
A Polícia Civil informou, também, que as suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico são investigadas em outro inquérito. Segundo o relatório, a separação foi adotada para evitar tumulto processual, confusão na análise das provas e prejuízo à compreensão dos fatos.
Operação Perfídus
A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.
Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes.
O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa.
Outros presos da operação:
- João Wicttor Alves de Lima;
- Brendo Roberth Fernandes Sobral;
- Paulo Ricardo Barbosa de Souza ("Galinha");
- José Alexandrino de Lira Júnior ("Júnior Lira");
- Vanessa Dantas Fernandes;
- Dankennedy Vieira Brito da Silva ("Babau").

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