CONVERSA POLÍTICA
OPINIÃO: deputados estaduais da Paraíba decidem seguir mau exemplo de Brasília
Assembleia Legislativa decidiu que terá sessão apenas um dia no mês de setembro para parlamentares se dedicarem às suas campanhas.
Publicado em 01/09/2026 às 16:26

Os deputados estaduais da Paraíba resolveram copiar o mau exemplo de Brasília e terão apenas uma sessão ordinária em setembro. A decisão, tomada nesta terça-feira (1º) a partir de uma sugestão do deputado Gilbertinho (União), chega justamente na reta final da campanha eleitoral.
É compreensível que deputado tenha agenda política, precise viajar e esteja em busca de votos. Faz parte do jogo eleitoral. O que não parece razoável é transformar a campanha em justificativa para praticamente suspender o funcionamento do Legislativo durante um mês inteiro.
E aqui está uma diferença que não deveria ser ignorada, mas parece ter sido convenientemente deixada de lado.
No Congresso Nacional, deputados federais e senadores representam Estados inteiros e, em muitos casos, têm bases eleitorais a milhares de quilômetros de Brasília. Há parlamentares que precisam atravessar o país para retornar às suas bases. A logística, de fato, é outra.
Na Paraíba, não.
Os deputados estaduais podem ter bases espalhadas pelo interior, mas estão dentro do mesmo Estado em que funciona a Assembleia. É perfeitamente possível conciliar a agenda eleitoral com a atividade parlamentar. Não é uma tarefa simples, evidentemente, mas mandato também é responsabilidade.
Aliás, há uma contradição curiosa nessa decisão. A Assembleia é justamente um dos principais palcos para um deputado mostrar o que fez durante o mandato, apresentar propostas, cobrar o governo, defender suas regiões e prestar contas ao eleitor, ou seja, a atividade parlamentar também pode ser uma vitrine eleitoral.
A situação fica ainda mais difícil de explicar porque a sessão plenária poderia ser, inclusive, um instrumento de campanha, sobretudo num período em que o eleitor está prestes a decidir quem continuará ocupando uma cadeira no Legislativo.
Em vez de tentar conciliar as duas coisas, porém, a maioria preferiu reduzir a agenda da Casa ao mínimo.
E a Paraíba não precisa importar de Brasília o que há de pior na política.

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