EDUCAÇÃO
Enem 2026: veja técnicas de estudo que podem ajudar na preparação para a prova
Psicopedagoga Helena Viegas orienta estudantes sobre memorização, leitura de textos longos, rotina e matérias difíceis.
Publicado em 25/09/2026 às 10:00

A preparação para o Enem não depende apenas da quantidade de horas dedicadas aos estudos. Para a psicopedagoga Helena Viegas, conhecer a própria forma de aprender, criar uma rotina possível de cumprir e simular as condições da prova são estratégias que podem ajudar o estudante a chegar mais preparado ao exame.
Em entrevista ao Jornal da Paraíba, Helena falou sobre técnicas de estudo, memorização, ansiedade, rotina, interpretação de textos e dificuldade em determinadas disciplinas. Segundo ela, não existe uma lista de métodos que funcione da mesma maneira para todos os estudantes.
Não existe uma técnica de estudo ideal para todo mundo
De acordo com a psicopedagoga, uma das ideias que precisam ser revistas é a de que existe uma técnica universalmente mais eficiente para estudar.
Helena explica que o estudante deve experimentar diferentes métodos e observar quais funcionam melhor para a própria aprendizagem. Entre as possibilidades estão estratégias visuais e métodos em que o aluno precisa explicar o conteúdo com as próprias palavras, como a técnica Feynman.
“É um processo de experimentação”, explica.
A orientação é fazer uma autoavaliação durante os estudos. O estudante pode, por exemplo, testar uma técnica baseada em esquemas visuais e depois verificar se consegue recuperar as informações.
Em outro momento, pode tentar explicar o assunto em voz alta e comparar os resultados.
Para conteúdos que exigem memorização específica, Helena também recomenda o uso de técnicas associativas, que relacionam a informação a outras ideias para facilitar sua recuperação posteriormente.
Como evitar os “brancos” durante a prova
Os chamados brancos de memória podem aparecer durante o Enem, especialmente em uma prova extensa e que exige concentração por várias horas. Segundo Helena, o nervosismo e o cansaço podem contribuir para esse tipo de situação.
Uma das estratégias é não permanecer muito tempo preso a uma questão quando a resposta não vem imediatamente. A recomendação é marcar a questão de alguma forma e seguir para as próximas. Depois, o estudante pode retornar a ela.
A estratégia ajuda a evitar que a dificuldade em uma única questão aumente a ansiedade e prejudique o desempenho nas demais.
Outra forma de se preparar é fazer simulados reproduzindo as condições reais do Enem. Isso significa, sempre que possível, realizar a prova no mesmo período do dia, respeitar o tempo disponível e evitar distrações, como celular e conversas.
A ideia, segundo a psicopedagoga, é fazer com que o corpo e a mente se acostumem com a situação da prova, reduzindo o caráter de novidade daquele momento.
Rotina de estudos precisa incluir descanso
Para quem pretende aumentar o ritmo de preparação nas semanas que antecedem o exame, Helena alerta para a importância de construir uma rotina que seja realista e flexível.
Segundo ela, o planejamento não deve considerar apenas o tempo destinado aos estudos. É importante reservar espaço para lazer, atividade física, convivência com amigos e outros compromissos.
A rotina também precisa permitir alterações. Se o estudante ficar doente ou não conseguir cumprir uma atividade em determinado dia, por exemplo, o planejamento deve prever momentos para recuperar o conteúdo posteriormente.
A ideia é evitar que uma tarefa perdida se transforme em uma sequência de conteúdos acumulados.
Estratégia pode ajudar na leitura de textos longos
O Enem é conhecido por apresentar questões com textos contextualizados e enunciados extensos. Para esse tipo de questão, Helena sugere uma estratégia de leitura que pode ajudar o estudante a identificar o que precisa ser encontrado no texto.
A orientação é começar pelo final da pergunta, onde geralmente está o comando, e observar também as alternativas antes de ler o texto-base.
Dessa maneira, o estudante já sabe qual informação precisa procurar quando começar a leitura do texto.
A psicopedagoga ressalta que essa estratégia não significa ignorar o texto-base, mas direcionar a leitura para aquilo que a questão está pedindo.
Como enfrentar as matérias mais difíceis
O medo de uma determinada disciplina também pode interferir na preparação. Para Helena, a maneira de diminuir essa resistência é justamente ter contato frequente com o conteúdo.
Se o estudante tem muita dificuldade em matemática, por exemplo, a orientação é não deixar a disciplina de lado. Pelo contrário: ela deve ser incluída entre as prioridades do planejamento.
O período anterior à prova, segundo a psicopedagoga, deve ser encarado também como uma oportunidade para errar, identificar dificuldades e aprender com os erros.
“É justamente a matéria que eu preciso priorizar nos meus estudos”, exemplifica Helena.
A preparação, portanto, não precisa ser baseada apenas na quantidade de conteúdo estudado. Testar métodos, revisar os próprios erros, simular a prova e manter uma rotina que inclua descanso são estratégias que podem ajudar o estudante a chegar ao Enem mais familiarizado com as exigências do exame.

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