EDUCAÇÃO
Enem: como lidar com a pressão por uma boa nota e evitar a ansiedade na reta final
Psicopedagoga orienta estudantes a estabelecer metas realistas, evitar comparações e respeitar o tempo de descanso durante a preparação para o exame.
Publicado em 12/10/2026 às 8:06

A proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode aumentar a ansiedade e a autocobrança entre os estudantes. A expectativa de conquistar uma vaga na universidade, corresponder às expectativas da família e alcançar uma boa nota são fatores que tornam a preparação ainda mais desafiadora, principalmente na reta final.
Para ajudar os candidatos a enfrentar esse período, o Jornal da Paraíba conversou com Diane Figueirêdo, psicopedagoga clínica e pedagoga, que explica como identificar os efeitos da pressão sobre a aprendizagem e o bem-estar emocional e como organizar os estudos sem comprometer a saúde.
Segundo a especialista, é natural que os estudantes sintam preocupação diante de uma prova importante. O problema começa quando a cobrança passa a prejudicar a rotina e a capacidade de aprender.
“O problema começa quando essa preocupação passa a atrapalhar a própria preparação”, explica Diane.
O excesso de pressão pode dificultar a concentração, a compreensão dos conteúdos e a memorização do que foi estudado. Alterações no sono, irritabilidade e a sensação constante de não estar preparado também podem indicar que o estudante está sobrecarregado.
Como lidar com as expectativas da família?
O receio de decepcionar os pais ou outras pessoas próximas também pode aumentar a pressão sobre os candidatos. Em alguns casos, o estudante sente que precisa alcançar determinado resultado para demonstrar sua capacidade ou corresponder ao esforço da família.
Para Diane Figueirêdo, o diálogo é fundamental para lidar com essas expectativas. O jovem precisa ter espaço para expressar seus interesses, enquanto a família pode contribuir com informações e orientações que ajudem na tomada de decisões.
“O objetivo é construir uma decisão consciente, sem transformar a escolha profissional em um conflito”, destaca.
A orientação é que os estudantes compreendam que a preparação para o exame envolve diferentes fatores e que a nota não deve ser tratada como uma medida definitiva de capacidade pessoal.
Metas realistas ajudam na preparação
Tentar estudar todo o conteúdo de uma só vez pode aumentar a insegurança e a sensação de que nunca há tempo suficiente. Por isso, a psicopedagoga recomenda estabelecer metas realistas, de acordo com a rotina e as necessidades de cada estudante.
“Em vez de tentar estudar tudo de uma vez, é melhor dividir os conteúdos em pequenas etapas. Isso ajuda na organização e traz mais segurança durante a preparação”, explica Diane.
Outra estratégia é mudar a maneira de encarar os erros durante os estudos. Errar uma questão não significa necessariamente falta de capacidade. Pelo contrário, pode ajudar a identificar dúvidas e direcionar as próximas revisões.
“O erro não deve ser motivo de vergonha, mas uma informação que ajuda a direcionar os estudos”, afirma a especialista.
Comparação com outros candidatos pode aumentar a insegurança

Acompanhar o desempenho de colegas pode gerar insegurança, principalmente quando outros estudantes parecem mais preparados ou apresentam resultados melhores em simulados.
De acordo com Diane, cada pessoa tem seu próprio ritmo, suas dificuldades e sua maneira de aprender. Por isso, comparar constantemente o próprio desempenho com o de outras pessoas pode aumentar a ansiedade e prejudicar a confiança.
“Cada estudante tem seu ritmo, suas dificuldades e sua forma de aprender. Comparações excessivas podem aumentar a insegurança”, alerta.
A orientação é concentrar a atenção na própria evolução, observando os avanços alcançados e os pontos que ainda precisam ser melhorados.
Quando a pressão começa a prejudicar a saúde?
Dificuldade para dormir, irritabilidade, choro frequente, falta de concentração e cansaço excessivo estão entre os sinais que podem indicar sobrecarga emocional durante a preparação para o Enem.
Ao perceber esses sintomas, o estudante deve conversar com a família e procurar apoio profissional, se necessário. Reconhecer os próprios limites é importante para evitar que a busca por um bom resultado comprometa a saúde.
“Quando isso acontece, é importante conversar com a família e buscar apoio profissional, se necessário. A saúde do estudante também precisa ser prioridade durante a preparação”, orienta Diane.
Como organizar os estudos na reta final?
Quando o exame se aproxima, alguns candidatos tentam compensar o tempo que consideram perdido com jornadas intensas de revisão. No entanto, tentar aprender todo o conteúdo de uma só vez pode aumentar o cansaço e dificultar a concentração.
Para esse período, Diane recomenda priorizar os assuntos mais importantes, resolver questões, analisar os erros e revisar os conteúdos em que ainda existem dúvidas.
“Na reta final, o melhor é organizar prioridades. Em vez de tentar aprender tudo de uma vez, vale revisar os assuntos mais importantes, resolver questões, analisar os erros e retomar os conteúdos em que ainda existem dúvidas”, aconselha.
O descanso também deve fazer parte do planejamento. Segundo a psicopedagoga, o sono participa da consolidação da memória, por isso sacrificar noites de descanso para estudar pode prejudicar a preparação.
“Não adianta passar a madrugada estudando e chegar à prova sem condições de manter a concentração”, ressalta.

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