Caderno Animal

Fabi Cavalcanti
Miguel Cavalcanti

Hari, a campainha da Tropa de Cãolite

Hoje com seus 12 anos e 3 meses, ele já foi o caçula de uma família que sempre foi numerosa e, antes de Priya chegar, passou um período sendo filho único.

Cachorro Hari

Esse é um de nossos idosos, Hari. Hoje com seus 12 anos e 3 meses, ele já foi o caçula de uma família que sempre foi numerosa e, antes de Priya chegar, passou um período sendo filho único. Na época, eu não tinha muito conhecimento sobre comportamento de cães e, pra falar a verdade, eu não aplicava o pouco que já sabia. Ele é nosso maior exemplo do que um reforço pode causar.

Primeiro foi a mudança de uma casa para um apartamento e Hari, que nunca havia visto uma porta fechada na vida, no primeiro dia sozinho destruiu a porta, literalmente (tive que trocar a porta de entrada da casa). Diante disso, eu não o deixava mais sozinho…arrumava alguém pra ficar com ele ou ele vivia na rua comigo…o que era caótico também. Pra sair de casa, um escândalo, se cansasse do lugar, outro escândalo; e eu, sem saber o que fazer, quando ele começava a latir, o pegava no colo, levava pra dar uma volta, enfim, eu tava super “adestrada” por ele. Priya chegou e eu fui estudar comportamento…meu choque foi perceber que eu só fazia besteira. Depois de alguns anos de estudo e de me casar com um comportamentalista canino, hoje Hari fica sozinho em casa, já late menos (mudar 100% do comportamento enraizado de uma vida em um idoso exige muito, uma pequena melhora já é uma vitória) e já não sofre tanto com a ansiedade.

O que aconteceu comigo e com Hari foi uma série de comportamentos desenvolvidos que foram reforçados por mim, mesmo não sendo minha intenção. E o que acontece com comportamentos reforçados? Vão aumentando cada vez mais.

Sabe aquela criança que faz uma birra na loja e consegue ganhar o brinquedo que pediu? A tendência é que ela repita a birra porque viu que funcionou da primeira vez. Com cães não é muito diferente, eles aprendem um comportamento através de reforçadores, sendo um bom ou mau comportamento.

Chamamos de reforçadores do dia a dia tudo aquilo que fazemos e geram uma modificação de comportamento em nossos cães, por exemplo, dar colo quando ele late pra um outro cão; quando chegamos em casa e fazemos aquela festa com ele que o deixa muito agitado cada vez que ele escuta o nosso carro; quando oferecemos uma “provinha” da nossa comida e ele cria o hábito de pedir comida à mesa.

Cada comportamento que seu cão faz, provavelmente, foi criado por você e sua rotina e, quando temos uma sequência de ações para realizar determinada tarefa seu cão se antecipa ao que vai acontecer e aí geramos uma crise de ansiedade.

Muitas vezes queremos resolver aquela ação ou incômodo naquele momento e acabamos nos complicando muito no futuro pois acabamos reforçando comportamentos ansiosos como latidos, pulos e agitação.

Na educação de cães não podemos ser imediatistas, é preciso tempo, dedicação e o entendimento de que cada indivíduo é único e precisa ter o seu tempo respeitado também.

Lembre-se que para ensinar precisa ter paciência e, às vezes, é preciso uma ajudinha profissional.

De acordo com Miguel, comportamentalista canino da Dog Moke Escola Parque, os primeiros dias com a família são muito importantes para as associações e criação dos reforçadores que farão uma grande diferença no seu cotidiano.

E você, consegue identificar como reforça os comportamentos do seu cão?