Fabi Cavalcanti
Miguel Cavalcanti

Cachorro não namora!

Cachorros não namoram. Cachorros cruzam por instinto, pela ação de hormônios e feromônios e, na ausência deles, eles não se relacionam com outros indivíduos afetivamente.

Um assunto bastante polêmico mas que deve ser discutido muitas e muitas vezes…cruzamento de cães. Muitos tutores quando compram ou adotam seus cães, não o fazem com a intenção de abrir um canil e sim de ter uma companhia. Os cachorros crescem e começam os pensamentos “vou cruzá-la porque quero ter um filhote dela”, “quero uma ninhada antes de castrar”, “ é tão bonito que vou querer filhotes dele”, “ ele precisa de uma namorada”.

Cachorros não namoram. Cachorros cruzam por instinto, pela ação de hormônios e feromônios e, na ausência deles, eles não se relacionam com outros indivíduos afetivamente.

Milhares de cães são abandonados a todo o tempo porque ficaram doentes, porque o tutor teve bebê e não tem mais tempo pro cachorro, porque envelheceram – sendo de raça ou não.

Cães não precisam só de amor, precisam de boa alimentação, de cuidados médicos, de atividades que contribuam para sua saúde física e mental, de educação, de brinquedos.

Vamos fazer um cálculo rápido das necessidades de um filhotinho? Inicialmente ele deverá ser vermifugado, entre 4 e 6 semanas de vida ele deverá iniciar o seu protocolo de vacinação, deverá passar pela transição da alimentação até conseguir comer basicamente a ração seca específica para filhotes (ontem vimos que existem algumas categorias de ração que influenciam muito na saúde deles, sendo a super premium a mais completa, com mais benefícios, porém, mais cara. Ele precisará iniciar também processo de socialização, quanto mais bem feito, menor chance de cães medrosos ou tímidos demais, ele precisará ficar com a mãe até no mínimo por 60 dias, para minimizar a probabilidade de no futuro sofrer com ansiedade de separação ou reatividade. Agora multiplique isso por 4, 5 ,7 filhotes, com sorte, porque algumas raças chegam a ter 11, 12 cães em uma ninhada. Depois de tudo, vem a entrega dos filhotes: quem irá receber esses cães cumprirá com toda a responsabilidade necessária? Amará e cuidará desse filhote quando ele adoecer ou estiver em idade avançada? Levará esse cãozinho para outro lugar quando precisar se mudar?

Além disso, tem também os cuidados que devem ser tomados com a mãe e com o pai. Algumas raças têm maior probabilidade de doenças genéticas que outras, outras têm tendência a problemas articulares, já é sabido que o temperamento/comportamento também sofrem influência genética e o tutor muitas vezes não tem o conhecimento disso tudo quando adquire o cachorro – até porque, na maioria das vezes os cães são adquiridos inicialmente com outros propósitos que não envolvem criação.

Ter um cãozinho lindo e saudável em casa não quer dizer que ele terá filhotes lindos e saudáveis…o que aumentará a probabilidade de filhotes não herdarem problemas serão os exames de mãe e de pai – e não é só um hemograma e bioquímico que irá dizer isso.

Criação responsável vai muito além do pedigree – é melhoramento genético, é entender o COI (Coefficient of Inbreeding), é investir na saúde física e mental de matrizes e padreadores, é realizar exames genéticos para prevenção de doenças, é saber que algumas cores de determinadas raças não podem ser cruzadas para evitar doenças hereditárias nos descendentes, como surdez e cegueira, por exemplo.

Seja um tutor consciente, são vidas que serão geradas para atender uma necessidade humana. Cães não sentem prazer sexual, não paqueram, não se casam. Cães reproduzem por instinto e, na verdade, eles não racionalizam sobre a vida dos filhotes – você sim.