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COTIDIANO

Caso Rebeca Cristina completa 15 anos: ‘matou os sonhos da minha filha’, diz mãe

Morte de estudante completa 15 anos com um único condenado. Possível segundo suspeito nunca foi identificado.

Publicado em 11/07/2026 às 12:50


					Caso Rebeca Cristina completa 15 anos: ‘matou os sonhos da minha filha’, diz mãe
Caso Rebeca Cristina completa 15 anos..

O caso Rebeca Cristina completou 15 anos neste sábado (11). A estudante foi encontrada morta em uma área de mata em Jacarapé, em João Pessoa, no dia 11 de julho de 2011. Apesar da condenação de um suspeito, o ex-padrasto da vítima, o cabo da Polícia Militar Edvaldo Soares da Silva, há uma prova genética que nunca foi atribuída a ninguém e a investigação sustenta que ele não agiu sozinho.

A mãe, Tereza Cristina, há 15 anos, precisa conviver diariamente com a dor da saudade da adolescente. A mulher ainda guarda fotografias, camisetas e objetos pessoais, como um urso de pelúcia que pertencia à filha, e diz que o autor do crime destruiu sonhos.

“Os sonhos dela ficaram no caminho. Ele matou os sonhos da minha filha e amputou os meus. É muito difícil”.

Segundo Tereza Cristina, Rebeca era estudiosa e sonhava em ser médica e também em se casar. Inevitavelmente, a mulher pensa como a filha estaria hoje, caso não tivesse tido a vida interrompida de forma tão brutal.

“O sonho dela era ser médica do Samu e veterinária. (...) Às vezes, quando eu paro para pensar em tudo que eu perdi, minha filha não pôde realizar e eu, como mãe, também não pude… Eu não vou poder nunca ver minha filha se formando, levar minha filha ao altar, que ela tinha um sonho de casar, ela pode ter sido mãe também”.

11 de julho de 2011

Rebeca saiu de casa por volta das 6h50, no bairro Mangabeira VIII, para ir ao Colégio da Polícia Militar. Como a estudante não retornou no horário habitual, a mãe estranhou a demora. Ao procurar a escola, descobriu que a filha sequer havia comparecido às aulas.

“Quando eu senti a falta dela, saí ligando, fiquei procurando. Eu tinha ido à escola para saber, e o diretor ligou para várias pessoas, para vários alunos, e eles diziam: ‘não, Rebeca não veio hoje’, ‘eu não vi Rebeca’, e assim por diante. Aí ele me orientou a ir na delegacia”, relembra Tereza Cristina.

Naquele mesmo dia, por volta das 14h20, a adolescente foi encontrada morta em um matagal às margens da PB-008. O corpo foi reconhecido pelo ex-padrasto, Edvaldo Soares, e pelo tio da vítima, Joseilton Melquíades da Silva.

“Quando eu cheguei em casa, estava um movimento de pessoas na frente, mas eu estava tão aperriada da cabeça que cheguei e disse: ‘eu vou ter que ir para a delegacia, vim só pegar os documentos’. Aí minha irmã disse: ‘Rebeca foi encontrada, mas está morta’”, relata a mãe.

Rebeca foi encontrada vestindo apenas roupas íntimas e com uma marca de tiro na cabeça. O laudo pericial apontou que a adolescente foi vítima de abuso sexual ainda com vida e que a morte ocorreu entre 8h10 e 12h10.

As investigações


					Caso Rebeca Cristina completa 15 anos: ‘matou os sonhos da minha filha’, diz mãe
Cartazes sobre as investigações do caso Rebeca Cristina.. Arquivo pessoal/Rebeca Cristina

Foram mais de cinco anos até o indiciamento do principal suspeito. A polícia esgotou pelo menos dez linhas de investigação, segundo o delegado Glauber Fontes, que esteve à frente do caso. O trabalho também contou com o apoio da criminóloga Ilana Casoy.

A polícia também trabalhou com a hipótese de um segundo envolvido no caso. Vários homens passaram por exames de DNA, entre eles o namorado de Rebeca na época do crime, um ex-namorado e funcionários da escola onde a adolescente estudava. Apesar da amplitude das buscas e do indiciamento do ex-padrasto, esse segundo suspeito nunca foi identificado.

Padrasto condenado


					Caso Rebeca Cristina completa 15 anos: ‘matou os sonhos da minha filha’, diz mãe
Edvaldo foi condenado a 31 anos..

O cabo Edvaldo foi o único indiciado e condenado pelo crime. O indiciamento ocorreu apenas em 2016. Três anos depois, ele foi condenado a 31 anos de prisão pela morte e por coautoria no estupro da estudante.

Um exame de DNA descartou a presença de sêmen ou sangue de Edvaldo no corpo da vítima. No entanto, as investigações reuniram pelo menos 22 indícios do envolvimento do policial no assassinato.

Segundo o relatório, o cabo se ausentou do posto de trabalho, no Presídio do Róger, por duas vezes na manhã do crime. Ele não participou da formação militar das 7h30 e, após retornar às 8h10, pediu autorização para sair, alegando um assunto particular.

Edvaldo retornou ao presídio entre 10h30 e 11h. Por volta das 11h10, solicitou uma nova saída, afirmando que precisava ajudar a esposa porque a enteada não havia voltado do colégio. Nesse horário, segundo o inquérito, a mãe de Rebeca ainda não sabia do desaparecimento.

O ex-padrasto nunca confessou o crime. “Nunca confessou o delito, mas, pelos elementos de prova, pelos elementos que a gente reuniu, não ficou dúvida. Tanto é que o Tribunal do Júri o condenou com a penalidade muito alta por esse crime”, diz o delegado Glauber Fontes.

Sobre o segundo envolvido, o delegado relata que Edvaldo dava a impressão de que essa pessoa foi executada. “A impressão que a gente tem (...) é que a outra pessoa foi executada, a outra pessoa morreu, porque nos depoimentos dele, ele dava a entender que a outra pessoa estava como se fosse inalcançável”.

Para Mykaelle Arruda, melhor amiga de Rebeca, a lacuna traz a sensação de impunidade. “O que adianta ele ser preso, mas o restante não ser? Não foi feita a justiça completa”, afirmou à TV Cabo Branco.

Mudança de comportamento

Na noite anterior ao assassinato, Rebeca foi a um culto em uma igreja evangélica. Testemunhas relataram que a adolescente chorou muito durante a celebração, mas não contou o motivo.

A estudante havia ligado para Mykaelle pedindo que ela fosse à igreja, pois tinha algo muito importante para revelar. A amiga estava com dor de cabeça e recusou o convite.

“Ela me ligou querendo que eu fosse muito para a igreja, dizendo: ‘por favor, vem, vem’. E isso me marcou muito até hoje, porque foi a última vez que eu ouvi a voz dela”, conta Mykaelle.

Durante as investigações, pessoas próximas afirmaram que Rebeca estava mais quieta nos dias anteriores. Dois amigos depuseram que a estudante havia descoberto mensagens no celular do padrasto que sinalizavam um relacionamento extraconjugal com outro homem.

Mesmo desaconselhada, a jovem confrontou o padrasto, que passou a tentar comprar o silêncio dela com presentes. Por isso, Mykaelle diz que sempre soube do envolvimento do policial e se incomodava com o falso luto dele. Logo depois, o homem começou a ameaçá-la.

“Era insuportável ver aquela cena, porque eu sabia que tinha sido ele. Eu sabia por conta de tudo que a gente já tinha visto, pelo celular, pelas mensagens. (...) Ele vinha muito aqui em casa, me ameaçava, me ameaçava por telefone, me ameaçava pessoalmente”, relata a amiga.

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Luana Silva

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