COTIDIANO
Crescem mortes por homofobia no Estado
Até maio de 2012 foram confirmados oito mortes, no ano passado foram seis. Ao todo, a secretaria registrou 21 crimes homofóbicos em 2011.
Publicado em 19/05/2012 às 6:30
O número de assassinatos por motivos homofóbicos na Paraíba cresceu este ano, em relação ao mesmo período de 2011.
Segundo informações da Gerência de Direitos Sexuais e LGBT da Secretaria Estadual da Mulher e da Diversidade Sexual, até maio de 2012 foram confirmados oito mortes, enquanto que no ano passado aconteceram seis. Ao todo, a secretaria registrou 21 crimes homofóbicos em 2011.
“Apesar dos dados já serem algo preocupante, existe uma subnotificação, ou seja, pode haver casos que não foram registrados em delegacias ou que a imprensa não tenha dado visibilidade”, explicou o gerente de Enfrentamento à Homofobia, Victor Pilato. “O número já aumentou nesses primeiros meses e, por isso, a tendência é que as estatísticas cresçam ainda mais”, alertou.
Para o presidente do Movimento do Espírito Lilás (MEL), Luciano Bezerra, o caso na Paraíba é preocupante. “A situação é grave.
Está se matando mais homossexuais por aqui do que em Estados como São Paulo e Rio de Janeiro. A Paraíba ficou em 2º lugar em todo o país na pesquisa feita pelo Grupo Gay da Bahia no ano passado, em relação a assassinatos com motivos homofóbicos”, informou.
Dados da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal revelam que, em 2011, os paraibanos fizeram 30 denúncias de violência praticada contra homossexuais. Em janeiro, fevereiro, março e abril não houve registro, gerando uma média de 3,75 denúncias mensais nos oito últimos meses do ano.
Apesar de ver que a discriminação está aumentando e, com ela, a violência, Victor Pilato considera positivo o fato de que existem denúncias. “Pessoas estão tendo coragem de denunciar e agora tem um mecanismo de denunciar e de visibilizar essa violência”, apontou o gerente.
O presidente do MEL considera que a alta na violência contra lésbicas, gays, travestis e transexuais acontece devido ao machismo frequente no Nordeste. “Acho que essa é a reação das pessoas mais conservadoras ao verem as conquistas e avanços que se vem obtendo”, opinou Luciano Bezerra.

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