COTIDIANO
Dois anos após prisão, 'casal Braiscompany' segue na Argentina sem previsão de extradição
Extradição da Argentina foi autorizada em dezembro, mas a defesa de Antônio Ais e Fabrícia Farias recorreu.
Publicado em 28/02/2026 às 15:31

Dois anos após a prisão de Antônio Neto e Fabrícia Farias, sócios da empresa de criptoativos Braiscompany, o casal segue em prisão domiciliar na Argentina sem previsão de extradição para o Brasil.
Os dois já foram condenados pela Justiça a penas de até 88 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro, após uma investigação da Polícia Federal que apontou desvio de R$ 1,11 bilhão de cerca de 20 mil clientes. Recentemente, a Justiça da Paraíba decretou a falência da empresa.
A prisão do "casal Braiscompany" aconteceu em 29 de fevereiro de 2024. Depois da Operação Halving, deflagrada em fevereiro de 2023 para combater os crimes atribuídos à atuação da Braiscompany, Antônio Ais e Fabrícia Farias passaram mais de um ano foragidos e foram encontrados em um condomínio de luxo na Argentina. Desde então, o casal segue em solo argentino, em prisão domiciliar.
A extradição de Antônio Neto e Fabrícia Farias da Argentina para o Brasil já foi autorizada. De acordo com a Justiça Federal da Paraíba, a decisão que autorizou a extradição do casal foi proferida em 26 de novembro pelo Tribunal Nacional Criminal e Correcional Federal da Argentina. O tribunal argentino também registrou que período de detenção de Antonio Neto Ais deverá ser computado no processo brasileiro.
No entanto, a defesa do casal afirmou que entrou com um recurso junto à Justiça da Argentina contra a autorização da extradição. Os advogados explicaram que os procedimentos para o retorno de Antônio Neto e Fabrícia tiveram início em março de 2024, mas que não existe uma ordem de extradição decretada. Ainda de acordo com a defesa, portanto, não há nenhuma data prevista para o retorno do casal ao Brasil.
A embaixada brasileira em Buenos Aires informou que "o processo continua em andamento sem previsão para emissão de sentença definitiva por parte da Justiça local". A embaixada também afirmou não ter outras informações sobre o assunto.
A Justiça da Argentina não divulgou atualizações e a Justiça Federal do Brasil informou que o processo tramita em segredo de justiça.
Entenda o caso
Antônio Inácio da Silva Neto, mais conhecido como Antônio Ais, e a esposa, Fabrícia Farias, sócios da empresa de criptoativos Braiscompany, foram presos no dia 29 de fevereiro, na cidade de Escobar, na Argentina. Em dezembro, a Justiça da Argentina autorizou a extradição de Antônio Neto e Fabrícia Farias.
Ainda não há data definida para o retorno deles. O tribunal argentino também registrou que período de detenção de Antonio Neto Ais deverá ser computado no processo brasileiro. Os dois devem ser extraditados para o Brasil, para o cumprimento das penas, que, somadas, chegam a 150 anos de reclusão.
O casal desviou cerca de R$ 1,11 bilhão e fez mais de 20 mil clientes como vítimas na captação de investimentos para a Braiscompany. A sede da empresa ficava estabelecida em Campina Grande.
A empresa, idealizada pelo casal, era especializada em gestão de ativos digitais e soluções em tecnologia blockchain. Os investidores convertiam seu dinheiro em ativos digitais, que eram “alugados” para a companhia e ficavam sob a gestão dela pelo período de um ano. Os rendimentos dos clientes representavam o pagamento pela locação dessas criptomoedas.
A Braiscompany prometia um retorno financeiro ao redor de 8% ao mês, uma taxa considerada irreal pelos padrões usuais do mercado. Milhares de moradores de Campina Grande investiram suas economias pessoais na empresa, motivados pelo boca a boca entre parentes, amigos e conhecidos.

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