COTIDIANO
Luiza no Canadá: ‘Fiz sete anos de terapia’, diz paraibana sobre impacto do meme na vida pessoal
Frase que viralizou em 2012 tomou conta das redes sociais e mudou a rotina da estudante. 14 anos depois, ela relembra exposição e consequências.
Publicado em 21/04/2026 às 13:00 | Atualizado em 21/04/2026 às 14:05

O meme “Luiza no Canadá”, que se tornou um dos maiores fenômenos da internet brasileira, completa 14 anos em 2026. A frase, originada em uma propaganda imobiliária, viralizou nas redes sociais e transformou a então adolescente Luiza Rabello em um dos primeiros rostos da cultura digital no país.
“Tiveram muitas coisas negativas. Eu fiz sete anos de terapia por conta do ‘Luiza no Canadá’”, afirmou.
Mais de uma década depois, longe da exposição, Luiza voltou a falar publicamente sobre o episódio. Em uma sequência de vídeos publicados em uma rede social, ela relembrou a repercussão e detalhou, pela primeira vez, os impactos pessoais, acadêmicos e emocionais causados pela repercussão do vídeo viral.
“Eu tive que voltar antes do tempo”
O meme surgiu quando o pai de Luiza, o colunista Gerardo Rabello, participou de um anúncio de um novo empreendimento imobiliário na Paraíba. Como a proposta da propaganda era apresentar toda a família e Luiza, então com 17 anos, estava em intercâmbio no Canadá, a frase foi utilizada para justificar a ausência da filha.
Em pouco tempo, a frase “menos Luiza, que está no Canadá” passou a ganhar repercussão nas redes sociais. O motivo exato da viralização nunca foi plenamente explicado, como ocorre com muitos conteúdos desse tipo. O fato é que, em poucos dias, Luiza Rabello teve a rotina de estudante em intercâmbio completamente transformada.
Segundo ela, a repercussão do meme acabou gerando problemas contratuais com a empresa responsável pelo programa, especialmente por conta da exposição da família anfitriã.
“Eu descobri tudo numa sexta. Na segunda, minha passagem já estava comprada para a quarta. Eu tive que voltar às pressas”, contou.
Com o retorno antecipado, ela não conseguiu concluir as avaliações no exterior. O Ministério da Educação (MEC) não validou as disciplinas cursadas, obrigando a estudante a tomar uma decisão imediata sobre o futuro escolar.

Sem conseguir aproveitar o período no exterior, Luiza optou por realizar um exame supletivo, concluindo o ensino médio de forma acelerada. A mudança repentina impactou diretamente o planejamento acadêmico.
“Eu estava no Canadá, sem nem pensar em vestibular, e de repente tive que decidir tudo muito rápido”, relatou.
Na sequência, Luiza ingressou num curso de Arquitetura, mas abandonou a graduação após três períodos letivos por não se identificar com a área. Em seguida, migrou para uma graduação em Odontologia, na qual conseguiu a formação.
Em 2026, aos 31 anos, atua como odontopediatra, desenvolvendo projetos voltados à saúde bucal infantil.
“As pessoas acham que foi só um meme”

Apesar da estabilidade profissional, Luiza afirma que ainda reflete sobre os impactos do episódio em sua trajetória.
“As pessoas acham que não aconteceu nada na minha vida, mas aconteceram muitas coisas. Eu penso como teria sido se tivesse seguido o caminho normal”, disse.
Ela também destacou que nunca chegou a fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), já que ingressou no ensino superior no meio do ano, em uma faculdade particular.
Exposição, ataques e terapia
Nos relatos, Luiza revelou que a repercussão do meme na época foi acompanhada de ataques, críticas e exposição excessiva, especialmente em sua cidade natal, João Pessoa. A situação, somada ao retorno inesperado, teve impacto direto na saúde emocional da paraibana.
Outro ponto destacado por Luiza foi a pressão da imprensa, que chegou a tentar localizá-la no Canadá, o que gerou preocupação com a privacidade da família anfitriã e com a própria segurança.
Ao revisitar a história, Luiza usou o episódio para refletir sobre o impacto da internet na vida de jovens que viralizam sem planejamento.
“A gente nunca sabe o que vai acontecer na vida de alguém depois de um meme. Existem consequências reais”, disse.
Ela também afirmou que, mesmo com a fama repentina, optou por não explorar comercialmente a exposição e recusou propostas publicitárias ao longo dos anos.

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