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COTIDIANO

Denúncias contra médico preso suspeito de abuso sexual em Caaporã chegam a quatro

Polícia Civil espera ouvir outras possíveis vítimas nos próximos dias; Justiça manteve a prisão preventiva do profissional após audiência de custódia.

Publicado em 06/11/2026 às 15:42


					Denúncias contra médico preso suspeito de abuso sexual em Caaporã chegam a quatro
(Foto: Reprodução)

Quatro mulheres denunciaram à Polícia Civil um médico suspeito de praticar atos libidinosos durante consultas em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na zona rural de Caaporã, no Litoral Sul da Paraíba. As pacientes já prestaram depoimento, e a investigação pode reunir novos relatos nos próximos dias.

De acordo com o delegado Túlio Lustosa Cantarelli, responsável pelo caso, duas mulheres foram ouvidas na quarta-feira (4) e outras duas nesta quinta-feira (5). Uma quinta paciente já tem depoimento marcado para a próxima segunda-feira (9). A Polícia Civil estima que outras duas ou três possíveis vítimas ainda possam procurar a delegacia.

A Justiça manteve a prisão preventiva do médico após a audiência de custódia. Ele havia sido preso em flagrante na quarta-feira (4) e continua detido enquanto a Polícia Civil apura as denúncias. O nome do médico não foi divulgado.

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Uma das mulheres ouvidas na quinta-feira entregou à Polícia Civil gravações de áudio feitas durante consultas com o profissional. Segundo o delegado, a paciente retornou outras vezes ao consultório porque precisava de atendimento e aproveitou essas ocasiões para registrar as conversas. O material ainda será analisado pelos investigadores.

“Ela chegou a voltar em outras vezes na consulta porque precisava ser atendida pelo médico e gravou um áudio. Ela cedeu vários áudios para a gente, mas esses áudios ainda vão ser analisados”, explicou Túlio Lustosa Cantarelli.

Como começaram as denúncias

O médico foi preso em flagrante na tarde da quarta-feira (4), suspeito de praticar atos libidinosos contra pacientes durante atendimentos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada na zona rural de Caaporã.

A primeira denúncia foi apresentada por uma paciente de 20 anos. Ela procurou a delegacia e relatou que teria sido vítima de comportamento sexual inadequado durante uma consulta realizada naquela manhã.

Conforme o relato da mulher, o profissional teria usado procedimentos clínicos como justificativa para realizar toques e manipulações íntimas sem finalidade médica. Ela também afirmou que recebeu perguntas de cunho sexual durante o atendimento.

Depois da denúncia, equipes da Polícia Civil foram até a unidade de saúde e identificaram outro relato envolvendo o médico. Uma segunda paciente, de 44 anos, também procurou a polícia e descreveu situações semelhantes durante uma consulta anterior no mesmo estabelecimento.

Funcionários da UBS foram ouvidos e relataram comportamentos considerados inadequados e situações de constrangimento atribuídas ao profissional.

Em depoimento à polícia, o médico afirmou que os contatos físicos realizados durante os atendimentos tinham finalidade exclusivamente diagnóstica e assistencial.

A Polícia Civil também solicitou exames periciais ao Instituto de Polícia Científica (IPC), por meio do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (NUMOL). Além disso, foram requisitadas as imagens do sistema de monitoramento interno da unidade de saúde.

A Prefeitura de Caaporã informou, na quinta-feira (5), que pediu o afastamento cautelar do profissional. Em nota, a gestão municipal afirmou que a medida tem caráter preventivo e comunicou que solicitou à empresa responsável pela contratação do médico que providencie a substituição dele.

CRM-PB abre sindicância

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) também iniciou uma investigação sobre a conduta do profissional. A sindicância foi instaurada na quarta-feira (4) para apurar se houve violação ao Código de Ética Médica.

O procedimento prevê a reunião de documentos, a análise dos relatos e a verificação de possíveis indícios de autoria e materialidade das infrações.

Segundo o conselho, caso seja instaurado um processo ético-profissional, serão assegurados ao médico o direito à ampla defesa e ao contraditório. Nessa etapa, poderão ser ouvidos o profissional investigado, as pacientes e testemunhas.

Imagem

Jornal da Paraíba

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