COTIDIANO
Delegado e agentes investigados por desvio de drogas são denunciados pelo MPPB
Segundo o Ministério Público, policiais desviavam drogas apreendidas e fraudavam registros da ocorrência para ocultar o esquema.
Publicado em 24/07/2026 às 11:58 | Atualizado em 24/07/2026 às 12:54

O delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito foram denunciados pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), nesta sexta-feira (24), por suposto envolvimento em um esquema de desvio de drogas.
Além da condenação criminal, o órgão pediu à Justiça a perda dos cargos públicos dos três denunciados, a conversão da prisão temporária em preventiva e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Os três são acusados de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. O documento trata do suposto desvio de drogas durante uma ação policial realizada em outubro de 2025, em João Pessoa.
O JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com as defesas do delegado Braz Morroni e dos agentes Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. As defesas de Braz Morroni e Everton Aires não responderam até a última atualização desta reportagem.
Em nota, a defesa de Eduardo Jorge disse que "há elementos que indicam possíveis inconsistências na investigação, as quais serão oportunamente demonstradas nos autos, no momento processual adequado" e que "permanecem pendentes de apreciação os pedidos de acesso ao conteúdo integral das medidas cautelares, medida indispensável para assegurar a paridade de armas entre defesa e acusação".
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De acordo com o Ministério Público, os investigados recebiam informações sobre locais usados para armazenar drogas, realizavam incursões nos imóveis para desviar os entorpecentes e, em seguida, registravam oficialmente apenas uma pequena parte do material apreendido.
Para sustentar a acusação, o MPPB informa que reuniu provas obtidas por análise de celulares, dados de geolocalização da viatura utilizada na ação, quebra de sigilos telemático, bancário e fiscal, monitoramento dos investigados, além de documentos e depoimentos.
Em 16 de junho, a Polícia Civil concluiu um dos inquéritos da investigação e indiciou o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires, conhecido como "Bomba", e Eduardo Jorge, conhecido como "Mão Branca". No relatório, a corporação também pediu a conversão da prisão temporária dos três em preventiva. Eles permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.
Na última quinta-feira (23), a Justiça da Paraíba concedeu prisão domiciliar a Vanessa Dantas Fernandes, investigada por atuar na movimentação financeira do suposto esquema. Ela havia sido presa temporariamente durante a mesma operação e deverá cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de manter contato com os demais investigados.
A operação

A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.
Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes.
O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa.

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