COTIDIANO
Ninão, homem mais alto do Brasil, volta a andar após receber novas próteses em São Paulo
Paraibano de 2,37 metros perdeu as duas pernas após infecções ósseas e conseguiu dar novos passos com equipamentos feitos sob medida.
Publicado em 02/11/2026 às 7:43

O paraibano Ninão voltou a andar após receber duas próteses feitas sob medida em São Paulo. Aos 41 anos e com 2,37 metros de altura, ele perdeu as duas pernas após sofrer infecções graves nos ossos. A primeira amputação aconteceu em 2021 e a segunda, em 2024, quando a infecção atingiu a outra perna.
A história de Ninão foi mostrada em uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida no domingo (1º). O programa acompanhou o processo de produção dos equipamentos, desenvolvidos por uma clínica especializada em Sorocaba, no interior paulista, para suportar o tamanho e o peso do paraibano, que é de aproximadamente 185 quilos.
Durante a adaptação, Ninão conseguiu ficar de pé e dar os primeiros passos com as próteses. Nos primeiros exercícios, demonstrou facilidade para se movimentar e chegou a querer correr antes mesmo de concluir o treinamento.
Por que Ninão precisou de novas próteses?
Ninão foi diagnosticado com gigantismo, uma condição causada pela produção excessiva do hormônio do crescimento. Segundo o relato dele, o crescimento acelerado começou ainda na infância. Aos 10 anos, já tinha 1,70 metro. Aos 14, chegou a 1,96 metro.
"Minha infância foi bem tranquila até os 8 anos de idade. Com 10 anos, eu tava na altura do meu pai, com 1,70m. E com 14, eu tava com 1,96m. A primeira vez que eu fui ao médico foi com 14 anos. [...] Eu sou o mais alto do Brasil".
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Ele contou que, ainda jovem, recebeu a orientação de fazer uma cirurgia para retirar um tumor benigno associado à produção excessiva do hormônio. Inicialmente, teve medo do procedimento, mas decidiu passar pela operação posteriormente. Depois da cirurgia, ainda cresceu oito centímetros e chegou aos 2,37 metros.
Em 2021, Ninão precisou amputar uma das pernas após uma infecção grave no osso. No ano seguinte, já conseguia dar alguns passos com uma prótese recebida de uma clínica em João Pessoa.
Em 2024, porém, a mesma infecção atingiu a outra perna, o que também levou à necessidade de uma amputação. Diante das dificuldades para conseguir equipamentos adequados, ele decidiu pedir ajuda por meio de uma campanha nas redes sociais.
Como foram feitas as novas próteses?
Uma clínica especializada de Sorocaba respondeu à campanha e iniciou a produção dos equipamentos. O processo levou em consideração as medidas e o peso de Ninão, que precisava de próteses capazes de suportar aproximadamente 185 quilos.
Primeiro, os profissionais fizeram um molde das pernas. A partir dele, os equipamentos foram produzidos manualmente e submetidos a testes de resistência. Os pés passaram por avaliações realizadas por uma empresa especializada na Rússia e foram testados para suportar até 700 quilos.
Cada pé tem 38 centímetros de comprimento, equivalente à numeração 60. Uma das próteses apresentadas durante a adaptação pesa cerca de seis quilos.
Os equipamentos também receberam reforços para suportar o peso e permitir que Ninão tenha mais estabilidade durante os movimentos.
Ninão quer voltar a praticar esportes
Além de recuperar a possibilidade de andar, Ninão pretende voltar a praticar esportes. Entre 2022 e 2024, ele integrou a seleção brasileira da modalidade esportiva que praticava, conforme relatou durante a reportagem.
Agora, a retomada depende de um período de adaptação e treinamento com as novas próteses.
Durante os primeiros exercícios, ele conseguiu ficar de pé, dar alguns passos e até treinar com uma bola. Os profissionais orientaram que os movimentos fossem feitos com calma, para que ele recuperasse a segurança ao caminhar.
Para ele, a possibilidade de recuperar a autonomia também tem um significado especial: "Sensação de liberdade", resumiu Ninão ao falar sobre a expectativa de voltar para casa andando.

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