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COTIDIANO

Número de condutores de moto sem CNH sobe 55% nas rodovias federais da Grande João Pessoa

Dados são os mais recentes, medidos pela PRF na Operação Verão, entre o fim de 2025 e o começo de 2026. Aumento é relativo a 2024.

Publicado em 11/05/2026 às 19:20


					Número de condutores de moto sem CNH sobe 55% nas rodovias federais da Grande João Pessoa
Acidentes de moto na Paraíba são causados, em sua maioria, por imprudência.. Silvia Torres/TV Cabo Branco

Um dado sobre a segurança no trânsito tem se tornado preocupante na Paraíba: o número de condutores de moto sem carteira de habilitação subiu 55% nas rodovias federais que cortam a Região Metropolitana de João Pessoa. Os dados são os mais recentes, medidos pela Polícia Rodoviária Federal na Operação Verão, entre o fim de 2025 e o começo de 2026, e fazem parte de uma apuração do Núcleo de Dados da Rede Paraíba.

Na Operação Verão entre 2024 e 2025, 23% dos abordados não tinham CNH. Em números absolutos, 285 condutores. Na Operação Verão de entre 2025 e 2026, 35,76% dos abordados não tinham CNH, mais que o dobro do ano anterior. Foram 436 condutores sem abordados sem habilitação.

Somado a isso, a velocidade sobre duas rodas pode resultar em números que desafiam a saúde pública e a Previdência no Brasil. A apuração do Núcleo de Dados da Rede Paraíba identificou um aumento de 8,6% no número de acidentes de moto nas rodovias paraibanas em 2025, com relação ao ano anterior.

De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2025 foram registrados 1.211 acidentes de moto nas BRs da Paraíba. Nesses acidentes, 1.471 pessoas ficaram feridas e 77 morreram. Todos os números apresentaram crescimento em relação a 2024. O número de feridos aumentou 7,5% e o de mortos. 6,9%.

Em 2026, até o mês de março, mais de 300 acidentes já foram contabilizados nas rodovias paraibanas, segundo a PRF. Uma média de 3 acidentes por dia. Os acidentes deixaram 400 pessoas feridas e 16 mortos.


					Número de condutores de moto sem CNH sobe 55% nas rodovias federais da Grande João Pessoa
Dados de acidentes de moto registrados em rodovias federais da Paraíba.

Fábio Ramalho, chefe da 1ª Delegacia da PRF na Paraíba, explica que estudar a legislação é fundamental para uma condução mais responsável. “A partir do momento que um condutor tem a posse de um veículo e ele passa por um uma série de testes, tem que estudar a legislação completa, as normas de circulação e conduta. Ele tende a ter uma atitude mais responsável no trânsito, bem como também passa a dirigir de forma defensiva”, disse.

Ele detalha, ainda, que as principais causas dos acidentes envolvendo motocicleta são a desobediência às normas de circulação e conduta, o trânsito em velocidade incompatível, principalmente nos corredores, que é o trânsito entre veículos, e a embriaguez ao volante.

Andar de moto exige atenção redobrada e a falta de qualquer cuidado pode transformar vítimas em novas estatísticas.

Quando entramos nas cidades, os números continuam alarmantes. Em 2024 foram feitos 9.786 atendimentos por acidentes de moto no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. Em 2025, o número se manteve praticamente estável. Em 2026, até março, foram mais de 2,3 mil atendimentos. Em todos os períodos, a média é de 27 pessoas atendidas por dia.

Já os atendimentos por acidentes de moto no Hospital de Emergência e Trauma em Campina Grande aumentaram 21% em 2015. Foram mais de 8,8 mil em 2024, crescendo para 10,6 mil no ano passado.

De janeiro a março deste ano foram mais de 2,6 mil atendimentos, um aumento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025. E é no hospital que esses números viram pessoas como Francisco José. Ele passou mais de três meses internado e precisou fazer cinco cirurgias para conter os danos provocados por um acidente de moto. Admite que poderia ter sido mais cuidadoso no trânsito.


					Número de condutores de moto sem CNH sobe 55% nas rodovias federais da Grande João Pessoa
Houve aumento nos atendimentos em Campina Grande e estabilidade em João Pessoa.

“Tinha saído da minha cidade, para outra cidade vizinha. Quando eu vim de lá para cá, vim em 120 km na moto. Irresponsabilidade. Aí sobrei na curva”, conta Francisco.

Mateus Xavier tentou evitar um atropelamento em uma rodovia federal durante um dia chuvoso, quando perdeu o controle da moto. “Um senhor, aparentemente, estava meio bêbado, atravessou correndo a BR. Aí eu ainda tentei desviar dele e aí acabei derrapando na pista”, revela.

O coordenador da área vermelha do Hospital de Trauma de Campina Grande, Matheus Matos, detalha sobre os atendimentos na unidade de saúde.

“O trauma por motocicleta, visto que muitas vezes o paciente está sem capacete e quando está usando o capacete, ele não usa de forma adequada, não tem o afivelamento correto do capacete, esses pacientes muitas vezes entram aqui com trauma crânio-encefálico grave. Outras lesões muito comuns também são as fraturas, fraturas de braço, de perna. Temos também trauma torácico e trauma abdominal fechado”, detalha o coordenador.

As marcas deixadas por um acidente de moto em 2019 também estão na vida de Severino Venâncio até hoje. Ele é diretor escolar na cidade de Conde, na Grande João Pessoa. Ficou com problemas no joelho e precisa de muletas para se locomover.

"Graças a Deus eu voltei a dirigir, que era uma das minhas práticas que eu mais sentia falta, que é a locomoção. Hoje, graças a que eu voltei a dirigir, eu posso me locomover. Voltei a minha atividade um ano e oito meses depois de estar no INSS, e voltei as atividades de forma legal", conta Severino.


					Número de condutores de moto sem CNH sobe 55% nas rodovias federais da Grande João Pessoa
Acidentes de moto na Paraíba são causados, em sua maioria, por imprudência.. Silvia Torres/TV Cabo Branco

Os custos financeiros de um acidente de moto não pesam só no bolso dos sobreviventes. Pesam também nos cofres públicos.

“O tempo médio de internação de um paciente vitimado por acidente de motocicleta, com duração aproximada de 4 dias de internação hospitalar, caso não seja submetido a procedimento cirúrgico, nem tenha lesões mais graves, que esse custo para o hospital gire em torno de R$ 6mil. Porém, temos também nos casos mais graves, o qual necessite de intervenções cirúrgicas, muitas vezes mais de uma, internação em leito de UTI prolongado, esse custo pode chegar até R$ 400 mil por paciente, dependendo da gravidade”, detalha Matheus Matos, coordenador do Trauma de Campina Grande.

Pedidos de auxílio-acidente também crescem

Em 2024, o número de auxílios-acidente concedidos pelo INSS passou de 34,7 mil em todo o país. O número de auxílios-acidente acidentários, que são aqueles relacionados ao trabalho, passou de 41,2 mil, totalizando mais de 76 mil, o que corresponde a R$ 92 milhões pagos pelo INSS.

Já em 2025, foram mais de 52,4 mil auxílios-acidente, mais de 46,7 auxílios-acidente acidentários, totalizando quase 100 mil, o que representa mais de R$ 125 milhões pagos pelo INSS em auxílios, um aumento de 30% com relação ao ano anterior.


					Número de condutores de moto sem CNH sobe 55% nas rodovias federais da Grande João Pessoa
Número de auxílio-acidente aumentou 30% em 2025. Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

O advogado previdenciário Edivanildo Nunes, explica o que deve ser feito em casos como esses.

“O primeiro passo vai ser preparar a documentação básica mínima necessária. Documentos pessoais como identidade, CPF, comprovante de residência, carteira de trabalho e documentos médicos que comprovem esse acidente. E que gerou uma incapacidade ou uma redução da capacidade. Com a documentação em mãos, ele pode requerer o benefício diretamente no INSS por meio do site ou aplicativo meu INSS ou até mesmo por meio do do telefone, ligando para 135. O processo vai tramitar lá no INSS e em caso de indeferimento, recomendamos que ele procure um advogado para fazer o processo judicial ou, se ele tiver dificuldade com o sistema do INSS, ele também pode iniciar já o processo administrativo com o advogado”, detalha Edivanildo.

O advogado explica, ainda, que o processo, normalmente, vai tramitar na Justiça Estadual. Os benefícios previdenciários, via de regra, tramitam na Justiça Federal, que é órgão especializado, com um perito já contratado. “O processo, em tese, é bem mais célere”, completa Edivanildo Nunes.

“Processos acidentários que transitam na Justiça Estadual, eles demoram, em média, uns 2 anos para que o beneficiário venha ter direito ao reconhecimento. Enquanto que na Justiça Federal, por ser um órgão especializado, vai demorar em média uns 6 meses”, ressalta o advogado Edivanildo Nunes.

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