COTIDIANO
Pai que matou filho autista para não pagar pensão pede avaliação de insanidade mental na Justiça
Davi Piazza Pinto matou criança de 11 anos, em João Pessoa, no ano passado. Ministério Público deve se pronunciar sobre o pedido.
Publicado em 06/10/2026 às 16:45 | Atualizado em 06/10/2026 às 16:59

Davi Piazza Pinto, réu por ter matado o próprio filho autista, de 11 anos, dentro de um apartamento no ano passado, em João Pessoa, pediu uma avaliação de insanidade mental a 2ª Vara Metropolitana de Tribunal do Júri da Paraíba. Em depoimento para a Polícia Civil, à época do crime, ele disse que matou a criança por estar endividado e não querer pagar pensão alimentícia.
O Jornal da Paraíba teve acesso a um documento assinado pela juíza Francilucy Rejane de Sousa Mota Brandão que pede ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) para se manifestar, no prazo de 10 dias, sobre o pedido da defesa para instaurar o procedimento. O órgão ainda não se manifestou.
Na Justiça, esse procedimento tem como finalidadese avaliar se o réu tinha capacidade de entender o que é certo ou errado no momento do crime e é realizado por uma junta médica, caso seja autorizado.
A juíza também estabeleceu que após a manifestação do MPPB o parecer do órgão volte para ela e, a partir disso, uma conclusão será tomada. O réu está preso em caráter preventivo. Na épóca do crime, ele se entregou para a Polícia Civil, na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina.
Em novembro do ano passado, Davi Piazza Pinto foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O crime de homicídio foi qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia, e pelo fato da vítima ser menor de 14 anos.
O Jornal da Paraíba não conseguiu localizar a defesa do réu até a última atualização desta reportagem.
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Relembre o caso
No ano passado, segundo a Polícia Militar, depois de matar o filho, Davi levou o corpo até o bairro Colinas do Sul, onde o enterrou em uma área de mata, nas imediações de uma antiga fábrica abandonada. O corpo foi encontrado dentro de um saco plástico preto, parcialmente coberto por terra, em uma cova rasa.
Desde o desaparecimento da criança, equipes da Polícia Militar realizaram buscas na região. A perícia ainda informou à TV Cabo Branco que a criança apresentava uma queimadura no ombro, mas que, segundo os peritos, a marca teria sido causada pela exposição ao sol.
Enquanto isso, em Florianópolis, o suspeito se apresentou espontaneamente em uma delegacia e foi preso.
A Polícia Civil divulgou imagens registradas por câmeras de segurança que mostram o momento em que Davi Piazza sai do local onde o crime foi praticado em um carro de aplicativo, no Jardim Oceania. As imagens apontam o homem segurando uma trouxa de lençol. Segundo a Polícia Civil, o corpo da criança estava enrolado nesses lençóis.
Os motoristas por aplicativo, tanto o que levou o suspeito até o local onde o corpo foi enterrado, no Colinas do Sul, como o que transportou ele de volta, foram ouvidos durante o inquérito. Ainda segundo a Polícia Civil, ficou comprovado que o pai agiu sozinho e que o crime foi premeditado.
A causa da morte do menino foi asfixia. A informação foi divulgada pelo Instituto Médico Legal (IML) à época do crime.
Segundo o IML, a necropsia apontou que a criança foi morta por asfixia por sufocação. Outros exames, como o toxicológico, também foram feitos.

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