COTIDIANO
Policial preso em esquema de desvio de drogas também vendia anabolizantes
Everton Aires, o 'Bomba', é apontado como operador de um esquema que levou à prisão do delegado Braz Morroni.
Publicado em 14/06/2026 às 8:30

Conversas obtidas pela investigação sobre um esquema de desvio de drogas e armas, que culminou na prisão do delegado Braz Morroni e de dois agentes da Polícia Civil, mostram um deles, conhecido como “Bomba”, falando sobre venda de anabolizantes ilegais.
Bomba é o apelido de Everton Rychelyson da Silva Aires, apontado como principal operador do esquema de desvio de drogas e armas. Nas conversas, ele fala sobre a venda de anabolizantes ilegais, incluindo os lucros e riscos da atividade.
“O cara que mais vende aqui sou eu, porque eu fidelizo a clientela. Os anabólicos deixam para mim mais do que o meu salário do estado. A polícia paga uma merreca. Aqui minha despesa é alta”.
Em outra conversa obtida pela investigação, Bomba diz que, apesar da alta procura pelos anabólicos, não pretendia aumentar a quantidade de produtos nem de clientes para evitar ser pego.
“Para mim, a quantidade que eu vendo me traz segurança. Porque, se cair na fiscalização, é mais fácil eu conseguir justificar alguma coisa. É mais fácil eu chegar e conseguir enquadrar no consumo”.
As investigações
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início em fevereiro de 2025, após a denúncia de um traficante que relatou que drogas apreendidas teriam sido desviadas por agentes da corporação. Foram analisados mais de 40 mil áudios.
Ao longo das apurações, os investigadores reuniram elementos que indicam que o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 10 milhões em vendas ao longo de quatro anos.
Dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça contra os suspeitos, oito foram cumpridos na operação Perfídus.

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