COTIDIANO
Professor da UFCG demitido por assédio é diácono e já respondeu a processo pelo mesmo crime
Professor é diácono da Diocese de Campina Grande e respondeu a um processo por assédio sexual em 2017
Publicado em 15/07/2026 às 10:57 | Atualizado em 15/07/2026 às 11:52

O professor Antônio Lisboa Leitão de Souza, demitido pelo Ministério da Educação (MEC) após a conclusão de um processo administrativo que apurou assédio sexual e moral contra estudantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), também atua como diácono da Diocese de Campina Grande e já respondeu a um processo por assédio sexual em 2017.
Além da atuação na universidade, Antônio Lisboa foi ordenado diácono da Diocese de Campina Grande em 2015. Em maio de 2026, ele foi transferido da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário para a Paróquia de Nossa Senhora das Dores e São Lucas.
O JORNAL DA PARAÍBA procurou a Diocese de Campina Grande para saber se a instituição pretende se posicionar sobre o caso, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Professor respondeu a processo por assédio sexual em 2017
O JORNAL DA PARAÍBA teve acesso à sentença de um processo em que Antônio Lisboa respondeu por assédio sexual contra duas mulheres em 2017.
Na ocasião, ele foi beneficiado com a suspensão condicional do processo, medida em que o andamento da ação fica suspenso desde que o investigado cumpra as condições estabelecidas pela Justiça durante um período determinado.
De acordo com a sentença, ele cumpriu prestação de serviços à comunidade e compareceu regularmente à Justiça para comprovar o cumprimento das determinações.
Com o fim do período estabelecido e sem registro de descumprimento das condições, a Justiça declarou extinta a punibilidade e determinou o arquivamento do caso.
Entenda
A demissão de Antônio Lisboa Leitão de Souza foi determinada pelo Ministério da Educação (MEC) após a conclusão de um processo administrativo disciplinar. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na terça-feira (14).
De acordo com a portaria, o professor cometeu condutas de conotação sexual e assédio moral contra estudantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), utilizando o cargo que ocupava na instituição.
Ao JORNAL DA PARAÍBA, a defesa de Antônio Lisboa informou que recebeu a decisão do MEC "com perplexidade" e afirmou que os pedidos apresentados durante o processo administrativo não foram analisados. Também declarou que o professor foi absolvido pela Justiça Criminal de Campina Grande em um processo relacionado aos mesmos fatos e que recorrerá à Justiça para tentar reverter a demissão.
Procurada pelo JORNAL DA PARAÍBA, a Comissão Permanente de Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD) da UFCG informou que o procedimento segue sob sigilo e ainda não houve trânsito em julgado na esfera administrativa. Segundo a comissão, o acesso aos autos poderá ser liberado quando o sigilo for retirado.

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