COTIDIANO
Protesto de moradores interrompe circulação de trens em trecho de João Pessoa
Moradores de comunidade do bairro Alto do Mateus fazem protesto e construíram barricadas para impossibilitar a passagem dos veículos.
Publicado em 02/02/2026 às 16:56 | Atualizado em 02/02/2026 às 19:29

A circulação de trens em um trecho entre João Pessoa e Santa Rita foi interrompida momentaneamente por um protesto realizado por moradores do bairro Alto do Mateus pela morte do jovem João Vitor Pereira. O protesto aconteceu na tarde desta segunda-feira (2).
Segundo moradores entrevistados pela TV Cabo Branco, o protesto aconteceu por eles entenderem que a abordagem da Polícia Militar em uma ação contra jovens ocorreu de forma errada e que somente os policiais atiraram. Eles alegam que o jovem foi atingido pelos policiais, que estavam em cima de uma ponte naquela região.
"Em nenhum momento houve confronto, só houve três tiros e os três foram dados pela polícia. Meu filho estava embaixo de um pé de oliveira, só conversando e ele (policial) executou meu filho pelas costas, porque meu filho nem viu ele chegar. Ele atirou de cima da ponte no meu filho e no outro menino", disse a mãe do jovem morto, que preferiu não se identificar.
Na abordagem em questão, o jovem morreu e outro ficou ferido quando equipes da PM estavam em patrulhamento no bairro, na região da divisa com Bayeux, quando foram recebidos com disparos de armas de fogo. Uma arma de fogo e pacotes de drogas foram apreendidas.
O tenente-coronel Bruno, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento da área em que o jovem foi morto, disse que a ação da polícia aconteceu por uma denúncia de seis homens andando armas. Segundo o tenente-coronel, os policiais foram "recebidos a tiros".
"Chegou informações para guarnições que cerca de seis elementos armados estariam nesse determinado ponto da abordagem, as guarnições foram averiguar essa denúncia e ao chegar no local já foram recebidos por disparos de arma de fogo. Tudo que se manda a legalidade foi feito, as duas vítimas, que foram alvejados, foram socorridos, priorizamos a vida, independente de quem for, então fizemos o devido socorro", disse.
O tenente-coronel foi ao local do protesto e disse também ter entrado em contato com pessoas da comunidade para saber se possíveis testemunhas "viram algum excesso". Ele ressaltou que é contra "excessos" e que a corporação é "legalista". Mas informou que ninguém testemunhou o fato e que, porventura, se alguém tivesse visto, "teria que provar".
De acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que opera os trens, outros trechos, operaram normalmente, entre Ilha do Bispo e a cidade de Cabedelo, em ambos os sentidos. O trecho da cidade de Bayeux e Santa Rita não estava com circulação de trens no momento do protesto. No trecho que estava interditado, os trens já voltaram a circular.
No trecho que estava interditado, os trens já voltaram a circular após quase três horas. A CBTU informou que cerca de 480 pessoas foram prejudicadas com o cancelamento de quatro viagens.
Por imagens de redes sociais, é possível notar que os moradores do local chegaram a montar barricadas e atearam fogo em materiais em cima da linha férrea.

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