COTIDIANO
Quem é quem em esquema que levou à prisão de delegado e agentes da Polícia Civil na PB
Decisão da Justiça autorizou a prisão do delegado e outros agentes da Polícia Civil por um esquema que movimentou cerca de R$ 10 milhões.
Publicado em 02/06/2026 às 17:27 | Atualizado em 02/06/2026 às 18:34

Um delegado da Polícia Civil da Paraíba, Braz Morroni, dois agentes da corporação e cinco integrantes de uma facção criminosa foram presos na manhã desta terça-feira (2) em uma operação que desarticulou um grupo criminoso suspeito de se apropriar de drogas apreendidas em operações e comercializar ilegalmente.
A investigação que culminou na operação teve início em fevereiro de 2025, após a denúncia de um traficante de que drogas teriam sido furtadas por agentes da Polícia Civil. A suspeita é de que o esquema fraudulento tenha rendido cerca de R$ 10 milhões em vendas, em quatro anos. Dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça contra os suspeitos, oito foram cumpridos na operação Perfídus.
O Jornal da Paraíba separou as principais informações sobre quem é quem na participação do esquema, de acordo com um documento a qual a reportagem teve acesso, em que a Justiça da Paraíba autorizou as prisões de pessoas da corporação e também de criminosos de uma facção criminosa.
Os suspeitos do esquema: quem é quem

Braz Morroni - delegado da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT)
No documento judicial, Braz Morroni é descrito como alguém que teria participação ativa no esquema. Segundo o documento, ele não apenas toleraria as ações dos subordinados da Polícia Civil, mas seria beneficiário direto dos lucros obtidos com a venda de drogas desviadas.
A investigação sustenta que Braz Morroni recebia repasses de dinheiro provenientes das negociações realizadas pelos investigadores, cobrava rapidez na recuperação de valores referentes a drogas vendidas a prazo e utilizava sua posição hierárquica para oferecer proteção institucional ao grupo.
A decisão cita transferências financeiras feitas por Everton Aires, um dos integrantes dessa organização criminosa, para contas ligadas ao delegado, além de conversas interceptadas que indicariam a reserva de uma parcela dos lucros para Braz em operações de tráfico e comércio ilícito de drogas.
Também é mencionado que, em dezembro de 2025, o delegado teria comparecido pessoalmente à delegacia para receber sua parte dos recursos arrecadados com o tráfico de drogas.
Por esses elementos, o magistrado que autorizou a prisão, entendeu haver indícios de participação direta do delegado na estrutura criminosa, determinando sua prisão temporária, afastamento do cargo, bloqueio de bens e suspensão do porte de armas.
Em audiência de custódia realizada pela Justiça após a prisão, foi mantida a prisão temporária de Braz Morroni, nesta terça-feira (2).
Everton Rychelyson da Silva Aires - Operador do grupo e policial civil

O principal apontado como operador do grupo criminoso é o investigador da Polícia Civil, Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba".
Conforme a decisão judicial, ele seria o elo entre policiais e traficantes, responsável por guardar drogas desviadas, negociar carregamentos de cocaína e skunk, organizar a contabilidade clandestina, orientar integrantes do grupo sobre lavagem de dinheiro e até atuar em esquemas paralelos de importação irregular de mercadorias e comercialização de anabolizantes.
O documento também menciona movimentações financeiras consideradas incompatíveis com sua renda e diversas transações com suspeitos ligados ao tráfico.
Eduardo Jorge Ferreira - agente da Polícia Civil

Também conforme a decisão, outro personagem do esquema é o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca".
O documento judicial afirma que ele participava diretamente das ações de subtração de drogas, monitorava carregamentos de facções, manipulava rastreadores instalados em veículos e armazenava entorpecentes em sua residência.
O documento destaca ainda movimentações financeiras milionárias, relações comerciais consideradas suspeitas e mecanismos de ocultação patrimonial por meio de empresas e terceiros.
João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth e Paulo Ricardo - integrantes do grupo criminoso
Outro apontado pela investigação é João Wicttor Alves de Lima, conhecido como "Vitor", que a Justiça coloca como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas fornecidas pelos policiais, além de realizar transferências financeiras para integrantes do esquema.
Brendo Roberth Fernandes Sobral, o "Breno", seria subordinado de João Wicttor e atuaria na guarda, refino e distribuição dos entorpecentes. Já Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como "Galinha", é apontado como informante dos policiais e distribuidor de drogas, fornecendo informações sobre depósitos de facções rivais em troca de parte das cargas desviadas, além de participar da movimentação financeira do grupo por meio de empresas próprias.
José Alexandrino de Lira Júnior - chefe de distribuição de carregamentos de drogas
Com atuação principalmente voltada para o Sertão da Paraíba, José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como "Júnior Lira", é descrito como líder da distribuição de grandes carregamentos de drogas na região etambém no Rio Grande do Norte, financiando remessas interestaduais e mantendo relações diretas com Everton, citado anteriormente.
Vanessa Dantas Fernandes - tesoureira do esquema
Esposa de Júnior Lira, Vanessa Dantas é apontada pela Justiça da Paraíba como a tesoureira do esquema no sertão paraibano, disponibilizando suas contas correntes para receber, fracionar e pulverizar os recursos do tráfico internacional e interestadual de drogas, enviando valores diretos aos policiais.
De acordo com a investigação, Vanessa apresentava volumosa rotina de depósitos fracionados em dinheiro em correspondentes lotéricos e terminais de autoatendimento, seguidos imediatamente por saques sistemáticos na boca do caixa e em caixas eletrônicos, de modo a viabilizar a evasão física dos ativos para fins de blindagem patrimonial.
Dankennedy Vieira - integrante de facção criminosa
A decisão também menciona Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como "Babau", integrante da facção criminosa Nova Okaida. Segundo a investigação, ele teria sido uma das vítimas do desvio de drogas praticado pelos policiais e foi quem divulgou imagens nas redes sociais que deram origem às apurações. Ele foi o único que não foi preso no cumprimento do mandado de prisão. Todos os outros citados anteriormente, foram presos.
Outros citados
Três outras pessoas, que não foram alvos de mandados de prisão preventiva, foram citadas na decisão da Justiça como pessoas que mantinham relações financeiras suspeitas com integrantes do grupo criminoso. Elas foram citadas como:
- Diego Ernesto Pereira Barros, ex-policial militar;
- Fabiano de Matos Farias, o "Galego";
- Jobson Rodrigo da Silva.
Os três, conforme a Justiça, foram alvo apenas de mandados de busca e apreensão em endereços citados pela Justiça. Fabiano de Matos, inclusive, está atualmente preso por outros crimes na Penitenciária de Segurança Máxima Criminalista Geraldo Beltrão, em João Pessoa.
O ex-policial militar, apesar de não ter sido alvo de prisão preventiva, acabou sendo preso em flagrante durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, por obstrução de Justiça e posse ilegal de arma de fogo. Ele passou por audiência de custódia por esses crimes e foi posto em liberdade ainda nesta terça-feira (2).
Para a Rede Paraíba, a defesa do ex-policial militar disse que a prisão em flagrante foi "excessiva" e "desproporcional", além de achar que "não havia elementos concretos para a manutenção da prisão ou para a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva".
Em nota, a defesa do delegado Braz Morroni disse que "é preciso rassaltar o direito constitucional à presunção de inocência" e que "irá analisar os autos visando a adoção das medidas pertinentes para restaurar a liberdade do delegado". Também afirmou que "no momento oportuno, irá provar sua inocência".
O Jornal da Paraíba não conseguiu localizar a defesa dos outros citados.

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