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COTIDIANO

Série investigativa da CBN Paraíba é finalista de prêmio internacional

“Involuntários” investiga denúncias de violações de direitos humanos em comunidades terapêuticas e concorre na categoria Podcast da premiação.

Publicado em 06/08/2026 às 16:49 | Atualizado em 06/08/2026 às 17:24


					Série investigativa da CBN Paraíba é finalista de prêmio internacional
Freepik

A série “Involuntários: uma investigação sobre as comunidades terapêuticas”, produzida pela CBN Paraíba, está entre as finalistas do Prêmio de Excelência Jornalística 2026, promovido pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). O trabalho disputa a categoria Podcast.

Ouça aqui a série:

A produção é assinada por Hebert Araújo, Pedro Hugo, Evellyn Lima e André Bezerra e é composta por três episódios que investigam denúncias de violações de direitos humanos, irregularidades e práticas ilegais em comunidades terapêuticas destinadas ao acolhimento de pessoas com dependência química.

Os vencedores serão anunciados durante a 82ª Assembleia Geral da SIP, que será realizada entre os dias 22 e 25 de outubro de 2026, em Bogotá, na Colômbia.

A construção da série


					Série investigativa da CBN Paraíba é finalista de prêmio internacional
Divulgação/MPPB

Ao Jornal da Paraíba, o jornalista Hebert Araújo explicou que a investigação começou após uma série de fiscalizações realizadas pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) identificar problemas recorrentes em comunidades terapêuticas.

Segundo ele, a repetição das irregularidades levou a equipe a perceber que não se tratava de casos isolados.

“Algumas fiscalizações do Ministério Público começaram a identificar problemas de forma recorrente. Isso despertou nossa atenção porque começou a parecer que havia um padrão, e não uma exceção.”

Durante a apuração, a equipe conseguiu acompanhar, de forma reservada, uma operação de fiscalização realizada pelo Ministério Público e por conselhos profissionais em uma comunidade terapêutica. No local, ouviram relatos de internos sobre maus-tratos, violações de direitos e outras irregularidades.

A investigação também acompanhou o andamento de casos já apurados pelas autoridades, entre eles a morte de um interno em uma comunidade terapêutica de Lagoa Seca.

Além disso, segundo Hebert, a equipe identificou que algumas instituições continuavam oferecendo serviços considerados ilegais mesmo após fiscalizações.

“Nossa apuração constatou que, mesmo depois de serem alvos de fiscalização, havia comunidades terapêuticas que continuavam oferecendo serviços ilegais, como o ‘resgate’, que é a internação involuntária. Esse tipo de procedimento não pode ser feito por comunidades terapêuticas, apenas por clínicas especializadas e mediante recomendação médica.”

A reportagem também utilizou dados nacionais, incluindo pesquisas desenvolvidas pela Universidade de Brasília (UnB) sobre comunidades terapêuticas no país.

Ao longo dos três episódios, a produção reúne entrevistas com especialistas, representantes de órgãos de fiscalização, integrantes do Ministério Público, pesquisadores, vítimas e familiares.

A investigação apresenta denúncias de cárcere privado, trabalho análogo à escravidão, agressões e outras violações de direitos humanos relatadas por pessoas que passaram por essas instituições. Também discute a fiscalização das comunidades terapêuticas, o financiamento público destinado a esses espaços e o papel da rede de atenção psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS).

Reconhecimento

Para Hebert Araújo, o reconhecimento internacional é resultado da relevância do tema investigado.

“A força dessa história vem do absurdo sofrimento causado a essas pessoas sob um manto de serviço social e religioso com autorização estatal. A intenção da nossa equipe foi questionar e colocar essa realidade às claras. O reconhecimento é consequência disso.”

A jornalista Evellyn Lima, responsável pela produção da série, afirmou que a indicação representa o reconhecimento de um trabalho construído coletivamente.

“Foi uma notícia maravilhosa. É um prêmio internacional que reúne trabalhos de jornalistas de vários países das Américas e da Espanha. Estar entre os finalistas com uma reportagem investigativa sobre comunidades terapêuticas é uma honra enorme.”

Ela contou que concluiu a produção da série no último dia de trabalho antes de iniciar a licença-maternidade.

“Ver um trabalho construído em equipe chegar tão longe me traz muita alegria. Esse reconhecimento aquece o coração e mostra que todo o esforço, a dedicação e o compromisso com um bom jornalismo fazem sentido.”

Imagem

Gabi Lins

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