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COTIDIANO

'Universidade está abrindo as portas', diz Capitão Potiguara ao receber honoris causa da UFPB

Liderança indígena paraibana tem trajetória marcada pela defesa dos direitos dos povos originários e da presença indígena na universidade.

Publicado em 07/08/2026 às 9:28


					'Universidade está abrindo as portas', diz Capitão Potiguara ao receber honoris causa da UFPB
José Ciríaco Sobrinho, conhecido como Capitão Potiguara.. Jaqueline Potiguara/Reprodução

O líder indígena paraibano Capitão Potiguara recebe nesta sexta-feira (7) o título de doutor honoris causa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa. A trajetória dele é marcada pela defesa da educação, dos direitos dos povos originários e da presença indígena no ambiente acadêmico.

Para o homenageado, o reconhecimento reflete uma mudança de postura da instituição em relação à educação e à presença indígena e destaca que a universidade também tem muito a aprender com os sabres tradicionais.

“A universidade pública precisa compreender que ela também tem muito a aprender com os povos indígenas. Durante muito tempo, o conhecimento produzido dentro das universidades foi considerado o conhecimento mais importante, enquanto os saberes dos povos tradicionais eram deixados de lado. Isso precisa mudar. A universidade hoje está abrindo suas portas para os nossos conhecimentos”, afirmou.

História de Capitão Potiguara

Natural da Aldeia São Francisco, em Baía da Traição, José Ciríaco Sobrinho, conhecido como Capitão Potiguara, tem 69 anos e começou a atuar na UFPB no fim da década de 1970, como trabalhador terceirizado no Campus I. Posteriormente, tornou-se servidor público federal da instituição e, ao longo de décadas, contribuiu para o fortalecimento das pautas indígenas na universidade por meio de ações de extensão, pesquisa, ensino e políticas de permanência estudantil.

Uma de suas principais contribuições foi a criação do Grupo de Trabalho Indígena (GT Indígena). A iniciativa ampliou a visibilidade dessas questões na universidade e ajudou na formação de estudantes e pesquisadores.

Ele também teve atuação importante na interiorização da UFPB e na criação do Campus IV, em Rio Tinto, fortalecendo a implantação de cursos voltados às realidades regionais, como o de Antropologia.

O líder deixou uma mensagem de incentivo para a juventude indígena.

"Eu diria para eles: não tenham medo de ocupar esses espaços. Se você é jovem indígena e tem o sonho de entrar numa universidade, vá. Estude, busque conhecimento, mas nunca tenha vergonha de dizer quem você é. A juventude é o futuro do nosso povo. Por isso, estudem, ocupem os espaços e voltem para fortalecer suas comunidades", disse.

Além da atuação institucional, Capitão Potiguara atuou em processos de regularização das terras indígenas Potiguara, Jacaré de São Domingos e Monte-Mór. Ele também participa de mobilizações nacionais em defesa desses povos.

Ele é reconhecido nacionalmente por participar de organizações como a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme). Ele atua ativamente em espaços de discussão e formulação de políticas públicas voltadas aos povos originários.

Imagem

Jornal da Paraíba

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