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VIDA URBANA

CG é a cidade com mais mortes maternas

Para reduzir a mortalidade, o governo municipal vai implantar unidade de terapia intensiva para pacientes com problemas obstétricos.

Publicado em 19/01/2014 às 6:00 | Atualizado em 01/06/2023 às 16:35

Com 128 óbitos, Campina Grande é a cidade que mais registrou mortes maternas entre 1999 a 2013 na Paraíba. Segundo a secretária municipal de Saúde, Lúcia Derks, o motivo é a dificuldade que os municípios do interior do Estado encontram em prestar assistência básica às gestantes.

“Esse registro de morte materna não são de moradoras de Campina Grande, mas sim de pacientes de outras cidades que são encaminhadas à Campina Grande, porque temos estrutura para atender casos de alta complexidade. Mas, como muitas chegam em estado grave de saúde, com infecção e hemorragias, não conseguem sobreviver”, lamenta

Para reduzir a mortalidade, o governo municipal vai implantar uma unidade de terapia intensiva exclusiva para pacientes com problemas obstétricos. Outra medida é a capacitação de equipes de saúde.

“Estamos investindo na saúde, com realização de cursos para nossos profissionais de saúde, criando enfermarias para gestantes de alto risco e ampliando o espaço para mulheres que vêm de fora. São ações que buscam melhorar a qualidade da saúde e garantir à mãe e à criança o direito à vida”, assegurou.

A secretária também garantiu rigor na apuração de denúncias sobre possíveis casos de negligência. “Assim que tomei conhecimento do caso da paciente Francisca Evaristo de Souza, determinei a abertura de sindicância para apurar se a morte dela foi uma fatalidade ou negligência”, acrescentou.

Além das maternidades, o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes também recebe grávidas de outros municípios. Apesar de ser especializada em casos de traumatologia, a unidade atende, em média, dois casos obstétricos por mês.

Na maioria das vezes, a paciente é de outras regiões do Estado, como explica o diretor da instituição, Geraldo Antônio Medeiros. “Os municípios não têm recursos para prestar uma assistência adequada. Por isso, as pacientes são encaminhadas, para cá, com complicações graves. A morte materna é uma realidade no país, porque ainda existem fatores que contribuem com isso, como a falta de um pré-natal adequado”, afirma.

“Os problemas de saúde não evoluem em pacientes que fazem pré-natal adequado. Mas há muitas cidades sem condições de oferecer uma assistência adequada. Como o hospital de Campina Grande tem 5 cirurgiões de plantão todos os dias, se tornou um hospital geral e recebe pacientes com vários problemas clínicos e vindos de várias regiões do Estado”, acrescentou.

JOÃO PESSOA TEM 125 CASOS REGISTRADOS

A capital paraibana aparece em segundo lugar no ranking da mortalidade materna. Foram 125 mortes no período de 14 anos.

De acordo com a diretora de Atenção à Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde, Tânia Lucena, o governo está adotando ações para reduzir os óbitos em 2014. “A gente vai reestruturar o planejamento familiar, para que a mulher seja assistida antes mesmo de engravidar. Também vamos fortalecer a atenção básica, com cursos de capacitação para médicos, enfermeiros e com atividades educativas voltadas para as gestantes”, declarou.

A gestora lembrou que a Maternidade Candida Vargas, instalada em João Pessoa, é considerada referência no atendimento à gestantes do Estado. Ela dispõe de Unidade de Terapia Intensiva exclusiva para mães e crianças, além de unidades de tratamento intermediário. Em 2014, o serviço ofertado pela instituição deve melhorar ainda mais. “A maternidade está inserida no Projeto Rede Cegonha, do governo federal, e vai receber uma casa de apoio para abrigar gestantes de outras cidades. Esse local será usado por mulheres que receberam alta, mas que ainda estão com os filhos internos. Além de abrigo, elas terão acompanhamento psicológico, social, médico e todo apoio que precisar”, acrescentou.

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Jornal da Paraíba

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