VIDA URBANA
Mais de 2 mil alunos sem aula
Corte de gratificações levou professores de duas instituições estaduais a paralisar atividades, deixando mais de 2.000 estudantes sem aula.
Publicado em 31/03/2012 às 6:30
Insatisfeitos com o corte de duas gratificações em seus contracheques, os professores do Estado em Campina Grande que lecionam no Colégio Elpídio de Almeida (Estadual da Prata) e no Colégio Hortêncio Ribeiro (Premen) no Programa de Ensino Médio Inovador, decidiram paralisar as aulas ontem. A medida deixou 1.350 estudantes na Prata fora da sala de aula, enquanto que no Premen o número atingiu 1.055. A reivindicação foi a retirada do pagamento de março dos incentivos do Centro Paraibano de Educação Solidária (Cepes) e abono salarial pelo ensino integral.
Ao todo, 118 professores não cumpriram com sua carga horária, já que os pagamentos não foram realizados. Segundo Francisco Alves, que leciona no Estadual da Prata, a revolta dos docentes foi muito grande, já que eles estão trabalhando em dobro, uma vez que estão inseridos no ensino integral que funciona das 7h às 16h30, mas que acabaram perdendo a gratificação salarial que poderia compensar o aumento do trabalho. “Nós estamos trabalhando mais, só que recebendo menos. Implantaram uma outra escola, que funciona à tarde, mas eles só pagaram pelo trabalho da manhã”, explicou o professor que afirmou que a gratificação do Cepes variava de R$ 70 a R$ 350, e que a do ensino integral é fixada em R$ 600.
Além dessas duas unidades de ensino, outra que também oferece o Ensino Médio Inovador, é a escola Severiano Cabral, no bairro de Bodocongó. Contudo, como lá o programa ainda não passou a funcionar e o quadro de professores ainda está sendo preenchido, as aulas irão continuar apenas pela manhã, como vem acontecendo desde o dia 23 de fevereiro. Já no Premen, os 60 docentes que também paralisaram suas atividades, apontaram que até merenda eles têm ajudado a servir para que o projeto de Ensino Integral pudesse continuar, contudo, o corte da gratificação tornou a situação insustentável.
“Faltam professores e funcionários na escola. A gente tem lavado banheiro, servido merenda. Mas, a escola não tem condições estruturais para comportar um projeto como esse. E o sentimento pela retirada de nossa gratificação foi de uma angústia generalizada. Um absurdo”, disse a docente Eliziane Balduíno.
Na próxima segunda-feira, às 8h, está marcada uma reunião no auditório do Estadual da Prata, onde todos os professores das duas escolas estarão reunidos para decidir os rumos da paralisação, podendo até desencadear uma greve se a situação não for regularizada. Alguns alunos demonstraram apoio aos docentes e afirmaram que se for preciso sair em protesto pela rua, eles estarão ao lado dos professores.
Após reconhecer a reivindicação dos professores do Estado, a gerente da 3ª Regional de Ensino, Sandra Fátima, explicou que em contato com a Secretaria de Educação recebeu a informação de que um erro no sistema da Secretaria de Administração provocou o problema. Ainda segundo ela, na próxima segunda-feira tudo será resolvido, o pagamento será efetivado.
“Foi uma falha no sistema da Secretaria de Administração que provocou esse problema. Mas tudo será liberado segunda-feira e esperamos que as aulas voltem a acontecer normalmente.
Acerca do preenchimento das vagas, nós temos até o dia 16 de abril para dar prioridade aos concursados. Após isso, caso ainda sobrem disciplinas sem professor é que vamos buscar outra alternativa. Já as duas escolas que reclamaram a falta de funcionários, segunda-feira estaremos encaminhando 12 para cada uma delas”, explicou.

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