VIDA URBANA
Ministério da Saúde recomenda vacina contra sarampo na região metropolitana
Crianças de seis meses a cinco anos devem se vacinar. Pessoas de outras idades passarão por avaliação de profissionais de saúde. No sábado (9), haverá mobilização nos postos da Capital.
Publicado em 07/10/2010 às 16:54
Da Redação
Com Assessoria
O Ministério da Saúde recomenda a realização imediata de vacinação de todas as crianças de seis meses a cinco anos contra o sarampo na capital paraibana, e municípios da região metropolitana, independentemente de já terem sido vacinadas ou não contra a doença. A recomendação também prevê, ao mesmo tempo, a imunização de pessoas de seis a 49 anos, mas somente daqueles que não tomaram a vacina tríplice viral anteriormente.
Para reforçar a ação, está prevista ainda uma grande mobilização no próximo sábado, dia 9 de outubro, o “Dia D” da vacinação contra o sarampo na região. Como reforço na preparação da estratégia, o Ministério da Saúde enviou às Secretarias de Saúde do Estado da Paraíba e do Município de João Pessoa equipe técnica, 150 mil doses da vacina tríplice viral, 100 mil agulhas e 100 mil seringas. Outras 100 mil doses serão enviadas esta semana.
Desde o fim de agosto, a Paraíba notificou 86 casos suspeitos de sarampo, dos quais 38 foram confirmados e 38 descartados. Outros dez permanecem em investigação. Os casos foram confirmados nos municípios de João Pessoa (30 casos), Santa Rita (5), Bayuex (1), Conde (1) e Lagoa de Dentro (1). O vírus identificado em todos os casos, pelo Laboratório de Referência para Sarampo da Fiocruz-RJ, foi o do genótipo B3, cujo sequenciamento genético é similar ao que está circulando na África do Sul.
O Ministério da Saúde reforça que, até o momento, não há transmissão sustentada do vírus do sarampo na Paraíba. De acordo com critérios internacionais, para haver transmissão sustentada é necessário que o vírus identificado circule no país por mais de 12 meses. No caso da Paraíba, passaram-se 39 dias desde o início do surto até o último caso confirmado.
É importante informar, também, que pessoas de outras faixas etárias devem ser vacinadas, mas não de maneira indiscriminada, como as crianças. Indivíduos de 6 a 19 anos que não apresentaram comprovante de vacinação ou que tomaram apenas uma dose devem ser imunizados. Já quem tem de 20 a 49 anos e tomou pelo menos uma dose é considerado imunizado; se não tomou ao menos uma dose, deve ser vacinado.
Recentemente, outros dois estados registraram casos confirmados de sarampo – Pará (3) e Rio Grande do Sul (3). Nos dois estados, os casos também são importados ou associados a casos importados: no Pará, a vírus que circulam na Europa; no Rio Grande Sul, a vírus originários da África do Sul. Nas duas ocasiões, foi realizada vacinação de bloqueio, em pessoas que tiveram contato com os casos da doença.
Histórico
Entre 2001 e 2009, houve confirmação de 67 casos da doença, todos relacionados a casos importados de outros países. O último surto registrado no Brasil foi em 2006, com 57 casos confirmados na Bahia. Na ocasião, também não se confirmou a transmissão sustentada do vírus. Desde o ano 2000, o país não registra caso autóctone de sarampo – ou seja, quando a doença foi causada por vírus que circulava livremente no território nacional.
O Brasil é o primeiro país das Américas a entregar seu relatório para a certificação de eliminação do sarampo. A solicitação e entrega do documento para a declaração de país livre da doença foi realizada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante a 50ª Reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em Washington, Estados Unidos, na última semana de setembro.

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