VIDA URBANA
Vítimas da exploração
Exploração infantil é debatida em escolas públicas de CG e procurador do MPT chama a atenção para a gravidade do problema no município.
Publicado em 04/12/2012 às 6:00
Mais de cinco mil crianças de Campina Grande e região estão sendo usadas para o trabalho infantil, inclusive sendo exploradas sexualmente ou para o tráfico de entorpecentes. A informação foi repassada pelo procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) na cidade, Marcos Almeida, que participou ontem de um evento que fechou o ciclo de debates dentro de escolas públicas sobre o assunto. Evento aconteceu na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep-PB).
A intenção foi conscientizar as famílias dos alunos e tentar mudar a cultura de que “criança precisa trabalhar para não ser marginalizada. Criança tem que ir para escola, participar de projetos de esporte e cultura e não ficar nas ruas pedindo dinheiro, ou pior, sendo usadas no tráfico de entorpecentes e exploradas sexualmente”, disse o procurador do MPT. Segundo ele, o primeiro obstáculo a ser derrubado é o mito de que é melhor a criança trabalhando do que viver perambulando nas ruas, sem ter nada para fazer. “Ainda existe essa cultura dos próprios pais de que a criança deve auxiliar nos serviços, temos que derrubar isso”, informou.
É fácil identificar crianças trabalhando na cidade, já que muitas são encontradas nos sinais de trânsito ou ainda nas feiras livres, neste caso, realizando trabalhos pesados, como o carregamento de mercadorias. De acordo com o procurador, sem tempo para estudar e brincar, as crianças não conseguem desenvolver suas habilidades e seus talentos e, futuramente, não conseguirão acompanhar o ritmo da competitividade na hora certa de entrar no mercado de trabalho.
“Existem várias penalidades para quem for flagrado realizando exploração do trabalho infantil e que estão descritos na Constituição Federal”, disse. No Brasil, este tipo de crime pode ser punido com penas de reclusão de 5 a 10 anos, podendo ser elevado para 15 a 30 anos, se a atividade ilegal resultar em morte dos menores. Em Campina Grande, um projeto que foi iniciado este ano em sete escolas municipais procura derrubar mitos e conscientizar a família dos alunos, sobre a importância da educação e do lazer na infância.
Cerca de 1.500 crianças foram envolvidas, com a participação direta de 486 professores, que trabalharam dentro da sala de aula sobre o tema 'exploração do trabalho infantil', através do Programa MPT na Escola. Para a coordenadora do Programa Cultura de Paz nas Escolas, Maria das Graças de Lima, o grande diferencial do projeto é a participação do MPT dentro das unidades de ensino e a influência que exerce nas famílias dos estudantes, que também participaram através de reuniões.
“As crianças ficaram muito satisfeitas com os trabalhos que foram explorados em todas as matérias e hoje (ontem), com a culminância desse projeto, eles estão apresentando danças, músicas, poemas, textos, tudo o que foi criado em sala de aula”, contou.
Para os colegas Luiz Henrique Silva, 9 anos, e Débora Caldas, 10 anos, da 3ª série da Escola Lúcia de Fátima, no Alto Branco, o evento foi uma oportunidade de mostrar seus talentos como cantores. “Nós adoramos cantar, sentimos um pouco de vergonha, mas foi muito bom”, disseram.

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