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CULTURA

A fonte inesgotável

Aos 83 anos, Carlos Fuentes passou mal na tarde da última terça-feira (15) e morreu, vítima de uma hemorragia interna.

Publicado em 17/05/2012 às 6:30


Como a língua portuguesa para o poeta Fernando Pessoa, o espanhol era a verdadeira pátria de Carlos Fuentes, panamense de origem e mexicano naturalizado.

"O idioma queria dizer para mim nacionalidade: era um conjunto opressivo de significados sujeitos sempre à luta, à reconquista", disse o escritor que morreu na tarde desta terça-feira aos 83 anos, vítima de uma hemorragia interna.

Ponta de lança do 'boom' latino-americano, movimento que pousou o cânone literário moderno nos países de língua espanhola do hemisfério sul, Fuentes passou mal em sua casa e padeceu em um hospital na Cidade do México. Seu corpo foi velado ontem em cerimônia pública no Palácio de Bellas Artes.

Em plena atividade intelectual (no dia 1º de maio tinha ministrado uma conferência na Feira do Livro de Buenos Aires), Carlos Fuentes deixou a vida e a literatura em um período que, segundo ele, oferecia aos autores o desafio de abandonar "a simples e cômoda linearidade" da escrita.

"Por que a escrita está condenada à sucessão e lhe é negada a coexistência dos tempos? Um quadro de Picasso ou Goya se percebe simultaneamente, a literatura carece desta leitura frontal, há que se alterar o que a página oferece de maneira linear", sublinhou em seu pronunciamento em Buenos Aires, capital que afirmou ser a cidade de sua juventude, de seus amores e de sua vida.

Romancista, contista, cronista e ensaísta, Fuentes foi também docente em universidades como Harvard, Cambridge e Princeton. Aceitou o cargo de embaixador do México na França em 1975, honrando assim uma carreira seguida pelo pai, que foi diplomata em várias cidades da América Latina, incluindo o Rio de Janeiro.

Foi no Brasil que, provavelmente, conheceu a obra de Machado de Assis, escritor que foi tema de seu ensaio 'Machado de La Mancha' (2001). No texto, Fuentes considera as Memórias Póstumas de Brás Cubas (1880) uma herança direta do romanceiro de Miguel de Cervantes.

O pai do Quixote deu nome a um dos prêmios mais significativos que Fuentes recebeu em vida, no ano de 1987. Foi também candidato ao Nobel de Literatura reiteradas vezes. Na segunda-feira, na véspera de sua morte, foi nomeado doutor honoris causa pela Universidade das Ilhas Baleares, pela qualidade e extensão de sua bibliografia, que contabiliza mais de 60 títulos.

REPERCUSSÃO DA MORTE
Na edição virtual do jornal El País, o peruano Mário Vargas Llosa escreveu sobre a perda de um amigo pessoal, com quem compartilhava muitas afinidades ideológicas.

"Seus contos, romances e ensaios se inspiram principalmente na história e na problemática do México, mas ele foi um homem universal, que conheceu muitas literaturas, em muitas línguas, e que viveu de maneira comprometida todos os grandes problemas políticos e culturais do seu tempo", escreveu Llosa.

E o tempo era uma preocupação patente na obra de Fuentes, da qual se destacam romances como Terra Nostra (1975), considerado pelo crítico Christopher Domínguez, seu compatriota, um expoente à altura de Jogo de Amarelinha (1963), de Julio Cortázar, e Cem Anos de Solidão (1982), de Gabriel García Márquez (autor que, por sinal, desmentiu no Twitter um boato sobre sua própria morte).

Em entrevista ao programa Roda Viva, em 1997, Fuentes afirmava que "dar uma segunda oportunidade ao tempo" era uma tarefa fundamental ao romancista, e que entendia a literatura como um "salto mortal sobre o vazio, para ver se chega ao outro lado, com o risco de cair no precipício e se fazer em pedaços".

A editora Rocco, detentora dos direitos de publicação de Carlos Fuentes no Brasil, já anunciou para o próximo semestre a publicação de um livro concluído pouco antes de sua morte.

Trata-se de Federico en Su Balcón, romance em que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche aparece ressuscitado na varanda do narrador.

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Jornal da Paraíba

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