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CULTURA

Épico de Ridley Scott, 'Êxodo' estreia nos cinemas da Paraíba

Com um Moisés viril e orçamento milionário, diretor de 'Gladiador' recria personagem bíblico.

Publicado em 25/12/2014 às 13:00 | Atualizado em 14/03/2024 às 13:24

Muitos historiadores não encontraram evidências de que o personagem bíblico Moisés de fato existiu. Mas ele está lá, no Antigo Testamento, enfrentando as dez pragas do Egito e ajudando 600 mil hebreus a chegar à terra prometida, Canaã (atualmente, o Estado de Israel).

O mito, cuja trajetória é descrita no 'Êxodo' da Bíblia, já ganhou várias leituras no cinema, incluindo Os Dez Mandamentos (1956) e o desenho animado O Príncipe do Egito (1998). Agora chegou a vez de Ridley Scott (Alien - o 8º Passageiro, Blade Runner – O Caçador de Andróides, Gladiador) compor sua visão do profeta que "abriu o mar".

Em uma produção milionária (o orçamento chegou a 150 milhões de dólares, um dos mais altos de Hollywood), que incluiu quatro mil figurantes (um luxo nos dias de hoje) e tecnologia de ponta (até os óculos Google Glass o diretor fez uso), Exôdo – Deuses e Reis (Exodus: God and Kings, 2014) chega aos cinemas de João Pessoa, Campina Grande e Patos, em cópias 3D e 2D, com a imponência de um filme épico, depois de uma curta pré-estreia em salas da capital.

Cenários grandiosos se unem a efeitos especiais de ultima geração para recriar a história a partir do momento em que Moisés (Christian Bale), criado em berço esplêndido como um filho pelo faraó Seti (John Tuturro), invejado pelo vice-rei e herdeiro do trono, Ramsés (Joel Edgerton), e ameaçado de morte pela madrasta má Tuya (Sigourney Weaver) descobre que sua origem está no povo hebreu, e não egípcio.

Exôdo se concentra na jornada que o profeta, aqui um incansável guerreiro jovem e experiente, bem diferente do homem com cajado vivido por Charlton Heston no filme de Cecil B. DeMille. Exilado com a ascensão do tirano Ramsés ao poder, ele se esforça para libertar os escravos hebreus do domínio egípcio. Como ex-soldado da armada egípcia, o profeta treina os hebreus para enfrentar o inimigo, mas acaba ganhando um aliado bem mais poderoso: Deus.

Este lhe aparece na forma de uma insolente criança (Isaac Andrews), que lança contra o Egito as famosas dez pragas. São ataques de moscas, rãs e gafanhotos em sequências proporcionais à ambição de Scott, fechando com a famosa matança dos primogênitos. Acuado e com seu povo em frangalhos, Ramsés cede e deixa que os escravos partam. Mas não por muito tempo.

Sob a liderança de Moisés, os hebreus rumam à Terra Prometida, mas são perseguidos por um Ramsés arrependido e obstinado. O clímax do filme é a famosa sequência em que o Mar Vermelho “se abre” para a passagem dos hebreus, afogando os egípcios que os perseguiam.

Aqui o mar não se abre, como na famosa cena do filme de DeMille. E ao invés do cajado, Moisés utiliza uma suntuosa espada - que lhe foi dada pelo faraó Seti - para fazer o mar secar e o povo hebreu passar com a maré baixa - teoria sustentada por muitos especialistas.

TERRORISTA?
Acusado de racista, por empregar em seu elenco uma esmagadora maioria branca, Ridley Scott, no alto de seus 77 anos, disse não se importar com a polêmica. Por outro lado, muitos especialistas no cinema do diretor de Gladiador enxergam em seu novo longa-metragem uma analogia ao embate entre islâmicos e palestinos.
Em entrevistas, o diretor deixou a entender que seu Moisés poderia ser visto como libertador para os hebreus, mas um terrorista para o império egípcio.

Na superfície, Ridley Scott produz o que sabe fazer melhor: aplica cada centavo do orçamento para tornar Exôdo – Deuses e Reis uma produção monumental, resgatando o espírito do citado Cecil B. DeMille com os recursos que podem ser encontrados hoje. Na outra ponta, Christian Bale comparece em grande forma, como não se via desde os tempos de O Operário (2004), cuja maquiagem, impecável, poderá levá-lo a uma indicação ao Oscar.

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Jornal da Paraíba

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