CULTURA
Estrela de Marcélia Cartaxo brilha mais uma vez no Festival de Brasília
Paraibana foi premiada pelo seu papel em 'Big Jato', do pernambucano Cláudio Assis. Filme chegou a ser vaiado pelo público.
Publicado em 24/09/2015 às 7:33
Depois de 20 anos da última premiação no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a paraibana Marcélia Cartaxo voltou a brilhar sua estrela - e aumentar o número de Candangos do grande vencedor da noite da 48ª edição do evento - pela interpretação em Big Jato, longa do pernambucano Cláudio Assis.
No fogo cruzado de vaias e polêmicas, além do prêmio de Cartaxo, Big Jato recebeu os troféus de Melhor Filme, Ator (para Matheus Nachtergaele), Roteiro (de Hilton Lacerda e Ana Carolina Francisco) e Trilha Sonora (assinado pelo DJ Dolores).
Foi uma edição especial para paraibanos: na abertura, ocorrida no último dia 15, o ‘conterrâneo velho de guerra’ Vladimir Carvalho recebeu um prêmio pelo conjunto de sua obra fílmica pelas mãos do irmão, o também diretor Walter Carvalho, que abriu o festival com seu novo longa, o documentário Um Filme de Cinema. Por curiosidade, Big Jato, o quarto longa de Assis, foi o único filme que Walter não fez a direção de fotografia.
Marcélia já tinha ganhado o Candango na categoria dramática principal pelo papel de Macabéia de A Hora da Estrela (1985), adaptação da obra homônima de Clarice Lispector (1920-1977) dirigida por Suzana Amaral. Pelo mesmo filme, a paraibana dividiu o Urso de Prata no Festival de Berlim com a francesa Charlotte Valandrey (de Rouge Baiser). Pelo seu suporte dramático, Cartaxo recebeu o prêmio de coadjuvante em dois momentos de Brasília, com os filmes Fronteira das Almas (1987) e 16060 (1985).
Primeira adaptação de Assis (baseada no livro homônimo de Xico Sá), a produção pernambucana mostra um garoto (o estreante Rafael Nicácio) que passa os dias nas estradas em companhia do pai (Nachtergaele), um bruto motorista de caminhão-pipa utilizado para limpar as fossas da cidade sem saneamento básico. Nas suas descobertas da vida, o garoto desperta sua vocação de poeta através da convivência do tio (vivido também por Nachtergaele), um artista anarquista que tem um programa de rádio.
Marcélia Cartaxo faz a autoritária mãe do garoto. “Ela é uma dona de casa que tem quatro filhos e que vende perfume para ajudar na renda da família”, conta a atriz em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA, frisando o contraste entre o fedor das fossas e o cheiro dos artigos de perfumaria no filme. “O tragicômico parece com A Hora da Estrela”, compara.
A paraibana já havia trabalhado com Cláudio Assis no segundo longa do cineasta, Baixio das Bestas (2007), onde ela faz uma ponta e é a preparadora de elenco. “Cláudio está muito sereno, sempre imprime sua irreverência nos trabalhos”.
A atriz conta que Big Jato vai estrear no circuito apenas para o ano e começa agora uma carreira internacional. A intenção é levá-lo para festivais como Cannes e Berlim.
Apesar do hiato de duas décadas sem ganhar em Brasília, Cartaxo dividiu prêmio de Melhor Atriz com Zezita Matos em A História da Eternidade, do também do pernambucano Camilo Cavalcante, no ano passado, tanto no 6º Festival de Paulínia (SP) quanto no Curta-se – Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe.
“Estou muito feliz com os ciclos da carreira. No ano que vem, vou lançar meu terceiro curta, Redemoinho, baseado em Ronaldo Correia de Brito”.
Continuando o foco da Paraíba no festival, Mayana Neiva é a protagonista de Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba. O longa foi também o grande vencedor de Brasília, arrebatando seis estatuetas: Melhor Direção, Ator e Atriz Coadjuvantes (para Lourinelson Vladmir e Giuly Biancato, respectivamente), Montagem, Direção de Arte e Fotografia.“Mayana só não ganhou o Candango de Melhor Atriz porque eu fui escolhida”, afirma Marcélia Cartaxo.

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