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CULTURA

Folclore: Encantados como Comadre Florzinha e Pai do Mangue fazem parte da memória da PB

Pesquisadora indígena diz que tratar encantados apenas como personagens folclóricos pode reduzir seus significados.

Publicado em 22/08/2026 às 10:35


					Folclore: Encantados como Comadre Florzinha e Pai do Mangue fazem parte da memória da PB
Ilustração do livro "Minha Cumadi Fulozinha". Ariana Atanázio / Divulgação

No Dia do Folclore, comemorado neste sábado (22), nomes como Comadre Florzinha, ou Cumadi Fulozinha, e o Pai do Mangue fazem parte da memória de comunidades da Paraíba. Essas figuras possuem significados religiosos e ancestrais, por isso o uso do termo "folclore" para definí-las pode exigir cuidado, como explica Viviane Potiguara, indígena e doutora em psicologia social.

“Algumas pessoas o associam somente a contos populares e lendas, o que pode remeter a acontecimentos que pertencem apenas ao passado ou a um imaginário estático, e a cultura indígena vai muito além disso: são dinâmicas, vivas e estão em constante transformação”, explicou.

A Comadre Florzinha, por exemplo, é bastante conhecida nas histórias populares da Paraíba e de Pernambuco. Nas narrativas, ela aparece como uma entidade ligada às matas e à proteção dos animais, mas, para os juremeiros, no entanto, esse significado vai além de uma personagem de histórias populares.

“Para nós, Juremeiros, ela é uma Mestra, uma Encantada ligada à ancestralidade indígena e também à proteção da natureza”, explica Viviane.

Pai do Mangue

Outra figura presente nas tradições populares paraibanas é o Pai do Mangue. A entidade é associada principalmente às comunidades que vivem da pesca e aos manguezais. Nas descrições tradicionais, ele costuma aparecer como um homem de idade avançada, pele trigueira e barba farta. Também é descrito com voz grossa, assobio fino, chapéu de palha e roupas de pescador.

Em algumas narrativas, carrega um samburá, cesta utilizada por pescadores, e há relatos de que pode surgir como uma luz que acende e apaga durante a noite ou até caminhar sobre as águas.

A relação com o mangue é central para a história. O Pai do Mangue é considerado um guardião desse ambiente e, segundo as narrativas, não tolera desrespeito à natureza.

Pescadores costumam deixar fumo como forma de agrado à entidade. Também fazem parte das histórias alertas contra palavrões, algazarra e danos ao manguezal. Quem desrespeita essas regras pode, segundo a tradição, ser castigado com a perda do caminho e passar dias sem conseguir retornar.

Viviane Potiguara explica que, ao abordar nomes do folclore, é importante entender de onde as histórias vieram e a quais povos estão relacionadas.

“Quando a gente se refere a folclore no contexto de algo que vai muito além daquelas lendas, dos contos imaginários, a primeira coisa que a gente precisa ter de entendimento é de onde essas histórias vieram. Tudo isso é uma forma não só de respeito, mas também de preservação do que é aquela cultura, do que é aquele folclore", finalizou.

Imagem

Jornal da Paraíba

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