Documentário dos Beatles será disponibilizado pelo Disney Plus nesta quinta. Nós sempre teremos os Beatles!

À memória de Jairo, meu irmão

No final de 1970, com pouco mais de 11 anos, passei em frente ao Cine Rex, e lá estava: Breve, Deixa Estar. Os Beatles, um pouco mais velhos, cabelos mais longos. Bem diferentes dos rapazes que víramos esfuziantes em A Hard Day’s Night e Help!. Melhor nos expositores do Cine Municipal: belas fotos em cores e um big cartaz preto. Depois, uma matéria no Jornal do Brasil: “Deixa Estar, a imagem do fim”.

Por aqui, Let It Be, com aquele título horrendo, entrou em cartaz no final de janeiro de 1971. Dois dias no Municipal. Um no Rex. Mais um no Santo Antônio. Era assim naquela época. A gente que saísse de cinema em cinema para tentar memorizar o filme, que só voltaria em reprise, pelo menos em João Pessoa, uma vez em 1973.

O próximo encontro foi em 1982, no início da era do VHS. Sessões na Cultura Inglesa, na Avenida Getúlio Vargas. Entrei às duas da tarde e ali fiquei até umas oito da noite, diante de um pequeno aparelho de TV. Sessões contínuas. A imagem do fim – o título da matéria do JB, que guardei por muitos anos, não deixava dúvidas. O que se via no documentário de Michael Lindsay-Hogg era o retrato fiel de um grupo em seus estertores.

Foi o que a História registrou, em filme, do projeto que se chamava originalmente Get Back e se transformou em Let It Be. Também no álbum, lançado um ano e meio depois das gravações. Agora, passado pouco mais de meio século, nos preparamos para a releitura da História: o documentário The Beatles: Get Back, com duração de seis horas, divididas em três episódios de duas horas cada um.

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Não mais nos cinemas, mas num serviço de streaming (Disney Plus), Get Back será disponibilizado nesta quinta-feira (25), na sexta (26) e no sábado (27). A direção é de Peter Jackson, o cara que dirigiu os três episódios de O Senhor do Anéis. Se é um revisionismo aceitável, não sei, mas impressionam a qualidade das imagens e o brilho do som remixado por Giles Martin, filho do mago George Martin. A tecnologia a operar milagres.

Estou contando as horas. Ouço os Beatles desde os meus oito anos, em 1967. Lá se vão 54 anos. Ouvi muito com meu único irmão, que não está mais vivo. Eu e ele, no começo da década de 1970, nos perguntávamos: será que vamos ouvir os Beatles daqui a 50 anos? A morte lhe tirou essa possibilidade, mas permaneço aqui, ouvindo as canções que o quarteto nos legou. Elas agora soam menos alegres, algo melancólicas. Igualmente lindas.

Dias atrás, enquanto ouvia a edição comemorativa dos 50 anos de Let It Be, lembrei do “Nós sempre teremos Paris”, de Casablanca. Nós sempre teremos os Beatles. O grupo, que contemplo já bem de longe, estão entre aquelas coisas que nunca deixaremos de ter. Enquanto vivos e lúcidos estivermos.