SILVIO OSIAS
A Marselhesa é o hino mais bonito do mundo
França e Marrocos se enfrentam nas quartas de final da Copa do Mundo.
Publicado em 09/07/2026 às 6:22

Na GloboNews, Demétrio Magnoli disse que torce pela França porque é quem tem o futebol mais bonito dessa Copa do Mundo de 2026.
Na feira de discos, alguém me falou sobre como é bom ver o jogo bonito da França. E comparou: "É como ouvir Charles Aznavour".
França e Marrocos jogam nesta quinta-feira, nove de julho de 2026, pelas quartas de final da Copa do Mundo. França e Marrocos me lembram Casablanca.
Vi Casablanca pela primeira vez - no cinema, claro - no início da década de 1970. O filme estava sendo relançado em comemoração ao seu trigésimo aniversário.
França e Marrocos se misturam em Casablanca. A ação é ambientada no Marrocos. Bogart e Bergman. Rick e Ilsa. "Sempre teremos Paris".
Os nazistas cantam no café de Rick. Victor Laszlo, ativista da resistência, "puxa" a Marselhesa. O hino da França se sobrepõe, por fim, ao canto dos nazistas.
Viva a França! Viva a democracia! Casablanca já tem mais de 80 anos (o filme é de 1942), e é difícil ver essa cena sem que as lágrimas encham nossos olhos.
O Hino Nacional Brasileiro foi escolhido como o mais bonito entre todos os hinos dos países que disputaram a Copa do Mundo de 2026.
O Hino Nacional Brasileiro é bonito. Mas - reconheçamos - tem uma letra muito longa, que muita gente nem consegue entender e que é difícil de ser cantada.
E mais: o fato de sermos brasileiros não nos obriga a achar que o nosso hino é o mais bonito do mundo. Para mim, nenhum hino nacional supera a Marselhesa.
Quando os Beatles cantaram na primeira transmissão mundial via satélite, eles abriram All You Need Is Love com a Marselhesa. Porque não com o hino deles?
A Marselhesa foi composta no final do século XVIII. No século XIX, foi rearranjada por Hector Berlioz. Berlioz, o gigante que compôs a Sinfonia Fantástica.
Balzac, Hugo, Verne, Baudelaire, Sartre e Simone, Camus, Renoir, Monet, Matisse. Os irmãos Lumière, Bazin, Jean Renoir, Tati, Godard, Truffaut, Bizet, Debussy, Ravel.
Bardot, Moreau, Deneuve, Delon, Belmondo, Piaf, Aznavour, Hardy. A Revolução, a Resistência. A Nouvelle Vague, o maio de 68. A França e seus legados.
A Marselhesa é um deles.

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