SILVIO OSIAS
Astronautas do outro lado da Lua, e a gente viajando com o Pink Floyd
Clássico absoluto do rock, The Dark Side of the Moon foi lançado em 1973.
Publicado em 06/04/2026 às 6:54

Nesta segunda-feira, seis de abril de 2026, a bordo da Orion, a tripulação da missão Artemis II vai ver o lado oculto da Lua, aquele que nós, aqui da Terra, jamais vimos.
Você tem uma trilha para testemunhar esse momento histórico? Eu tenho. É um disco de rock da década de 1970, que comento nessa postagem de hoje.
O pop/rock de fato produziu alguns álbuns clássicos que estão atravessando os anos e resistindo à ação do tempo. The Dark Side of the Moon é, certamente, um deles. O disco da banda inglesa Pink Floyd foi lançado em março de 1973.

Da esquerda para a direita, Nick Mason (bateria), David Gilmour (guitarra e voz), Roger Waters (baixo e voz) e Richard Wright (teclado e voz).
Essa é a formação mais duradoura do Pink Floyd, do tempo em que o grupo produziu seus trabalhos mais significativos. No início, houve Syd Barrett, substituído por Gilmour, e, no fim, com a saída de Waters, o quarteto virou um trio.
Richard Wright morreu de câncer em 2008 aos 65 anos. Roger Waters está com 82 anos. David Gilmour tem 80, e Nick Mason, 82. Syd Barrett morreu em 2006 aos 60 anos.
Quando o Dark Side of the Moon chegou às lojas, em 1973, não era novidade para quem viu o Pink Floyd ao vivo em 1972. O repertório do álbum estava praticamente pronto e foi executado muitas vezes em shows antes que os músicos fossem aperfeiçoá-lo e gravá-lo em Abbey Road, o estúdio londrino onde os Beatles fizeram seus discos.
Os fãs se dividem. Há quem prefira Wish You Were Here (1975), The Wall (1979), uma espécie de ópera-rock quase toda composta por Roger Waters, ou, até mesmo, um dos álbuns da fase que vai de Ummagumma (1969) a Meddle (1971), passando por Atom Heart Mother (1970).
Para mim, e para muita gente, The Dark Side of the Moon é imbatível. Oitavo título da discografia, é o melhor, o mais importante e o mais bem acabado entre todos os 14 discos que o Pink Floyd lançou, da estreia com The Piper at the Gates of Dawn (1967) ao epílogo com The Division Bell (1994). Em 1967, com Barrett. Em 1994, sem Waters.
Numa comparação um tanto quanto maluca, mas nem por isso absurda, podemos dizer que The Dark Side of the Moon é o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band do Pink Floyd. Como o disco dos Beatles, o álbum do Pink Floyd é para ser ouvido do começo ao fim, sem interrupções, para que possa realmente soar como uma suíte pop. Prova disso é que há um coração batendo antes do início da primeira faixa e após o término da última.
Claro que músicas como Breathe, Time, Money ou Us and Them sobrevivem sozinhas, podem tocar no rádio ou integrar compilações. Mas, ouvidas isoladamente, elas jamais soarão como soam quando inseridas no contexto do disco.
The Dark Side of the Moon é uma "viagem", quer você recorra ou não a algum estímulo para degustá-lo. E essa "viagem" tem começo, meio e fim. Não cometa a heresia de interrompê-la.
The Dark Side of the Moon é um dos discos mais importantes do rock. The Dark Side of the Moon tem uma das capas mais icônicas do rock. The Dark Side of The Moon é um dos álbuns mais vendidos e mais populares do rock.
Vindo do rock psicodélico e depois debruçado sobre o rock progressivo, o Pink Floyd atingiu a maturidade com esse álbum, além de, com ele, ter se consolidado como uma entre as grandes bandas do pop/rock. Se há uma maneira de classificar o disco é reconhecendo que ele é perfeito, impecável em sua singular e extraordinária unidade.
The Dark Side f the Moon é música produzida por uma banda que soa muito coesa, tem belas melodias, mas também sons eletrônicos e algum experimentalismo. A guitarra de David Gilmour em Time é digna das antologias do instrumento.
Há auxílios luxuosíssimos que não podem ser esquecidos: o do engenheiro de som Alan Parsons, o do saxofonista Dick Parry e o da cantora Clare Torry, que faz o estupendo solo vocal de The Great Gig in the Sky, a última faixa do lado A da edição em vinil.
Se você gosta de música popular, se você, particularmente, gosta de rock, não morra sem ouvir The Dark Side of the Moon. Com as luzes apagadas, o volume alto e diante de um bom equipamento, as audições e reaudições do chamado "disco do prisma" serão sempre uma indescritível experiência sonora.

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