SILVIO OSIAS
Freddie Mercury, 80 anos
Vocalista do Queen nasceu no dia cinco de setembro de 1946.
Publicado em 04/09/2026 às 6:30

Começo pedindo que me desculpem os fãs incondicionais do Queen. Mas penso que Freddie Mercury era um cantor de rock cafonérrimo, kitsch e meio brega.
Como Elvis Presley, em outra medida. Aquele Elvis da década de 1970, nos seus anos finais, também era um cantor de rock cafonérrimo, kitsch e meio brega.
Ou como Elton John no auge do sucesso. Usando roupas e óculos ridículos, mas cantando as baladas belíssimas que escreveu com seu parceiro, Bernie Taupin.
Penso assim, mas adoro a música que eles nos legaram. Mercury, tema desse post, era um grande cantor, um grande front man, e o Queen, uma banda única.
Se estivesse vivo, Freddie Mercury faria 80 anos neste sábado, cinco de setembro de 2026. Soropositivo, morreu aos 45 anos em 24 de novembro de 1991.
O Queen é uma das grandes bandas do rock. Com absoluta certeza, não estará ausente de qualquer lista das 10 maiores bandas de rock de todos os tempos.
O Queen viveu seu auge durante a década de 1970. Foi a época em que o quarteto gravou seus melhores discos, produzindo uma extensa lista de sucessos.
Brian May na guitarra. John Deacon no baixo. Roger Taylor na bateria. Um trio poderoso a acompanhar o vocalista Freddie Mercury, que também tocava piano e guitarra.
Exímio guitarrista, May se sobrepunha a Deacon e a Taylor, mas é claro que todo o protagonismo do Queen sempre esteve na figura de Freddie Mercury.
De tal modo que a doença de Mercury comprometeu a qualidade da produção do grupo em parte dos anos 1980, e sua morte, a rigor, decretou o fim do Queen.

O álbum A Night at the Opera, de 1975, talvez seja o melhor título da discografia do Queen. Se quisermos, faz par com A Day at the Races, de 1976.
Uma noite na ópera. Um dia nas corridas. No primeiro, apesar da "noite" que há no título, a capa é branca. No segundo, apesar do "dia", a capa é preta.
Uma noite na ópera. Um dia nas corridas. Os títulos vêm de duas comédias antológicas dos Irmãos Marx: A Night at the Opera (1935) e A Day at the Races (1937).
A Night at the Opera traz Bohemian Rhapsody. Começa com uma balada, vira ópera, tem um coral com as vozes do grupo superpostas e termina como heavy metal.
Bohemian Rhapsody. Deve ser o melhor momento do Queen, a sua grande música. Mas é um pastiche e, por isso, representa tão bem o que há de kitsch no grupo.
Play the Game parece Beatles.O rockabilly Crazy Little Thing Called Love evoca Elvis. Somebody to Love é uma balada gospel. We Are the Champions é um hino.
Love of My Life foi mais popular no Brasil do que em outros países. É uma canção que Freddie Mercury compôs para Mary Austin, um amor da vida inteira.
Quem, a essa altura, ainda não se debruçou sobre o repertório do Queen, pode começar pelo Greatest Hits, de 1981. Vai do começo ao álbum The Game, de 1980.
É uma impressionante coleção de sucessos que contemplam tudo o que o Queen era. Há um Greatest Hits II, de 1991, o ano da morte de Freddie Mercury.
A segunda coletânea, embora inferior à primeira, funciona como um bom complemento. O Greatest Hits III, de 1999, é irregular e totalmente dispensável.
O Queen era imbatível ao vivo. O disco duplo Live Killers, de 1979, não é tecnicamente bem gravado, mas flagra o grupo numa grande performance no palco.
Em 2018, o filme Bohemian Rhapsody contou a história de Freddie Mercury e do Queen. A atuação de Rami Malek, como Mercury, deu a ele o Oscar de Melhor Ator.
Freddie Mercury morreu aos 45 anos. Se estivesse vivo, faria 80 anos agora. Ele ostentou talento e jogou luzes nos estúdios e palcos do mundo por onde o Queen passou.

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