SILVIO OSIAS
Homem que caiu na Terra, príncipe de outro planeta
David Bowie e Elvis Presley eram capricornianos de 8 de janeiro.
Publicado em 08/01/2026 às 6:55 | Atualizado em 08/01/2026 às 10:00

Se estivesse vivo, Elvis Presley faria 91 anos nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026. Se estivesse vivo, David Bowie faria 79 anos nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026. Dois capricornianos de 8 de janeiro, dois gigantes da música popular.
Neste sábado, 10 de janeiro de 2026, completa-se uma década sem David Bowie. Ele morreu dois dias depois de fazer 69 anos, provavelmente por suicídio assistido. Bowie, o homem que caiu na Terra. Elvis, o príncipe de outro planeta.
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Ouvi David Bowie na primeira metade dos anos 1970 com um amigo que, num surto psicótico, disse ter sido levado pelos marcianos. O amigo, nunca mais vi. A música de Bowie, só reencontrei nos 40 anos de Ziggy Stardust, em 2012.
Corri atrás, mas perdi o prazer do olhar contemporâneo, da audição do disco no instante em que é lançado. Como havia feito um pouco, porém menos do que desejava, com Ziggy, Aladdin Sane, Pinups, Diamond Dogs, Young Americans e Station to Station.
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Elvis Presley se transformou num fenômeno em 1956, aos 21 anos, ao ser contratado pela RCA Victor. Nos dois anos anteriores, gravara em Memphis, na pequena Sun Records, fonogramas fundadores do rock’n’ roll. As chamadas Sun Sessions reúnem as bases do rock na medida em que Elvis mistura blues, R & B, gospel e country.

Dos Beatles ao U2, todos se curvam à importância daqueles registros e reconhecem neles matrizes do que vieram a fazer. O artista que o mundo conheceu a partir da chegada à RCA conservou muito do que encontramos nas sessões da Sun, mas também foi tragado pelas artimanhas da indústria fonográfica e pelos grandes estúdios de cinema.
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O David Bowie que me restou, entre o quadragésimo aniversário de Ziggy Stardust (ainda de devastadora beleza) e o dia em que amanheci com a inesperada notícia de sua morte, tem o sabor inevitável de uma descoberta tardia. Mas não ouvi-lo teria sido pior.
Não tê-lo na minha discoteca seria ignorar o óbvio: o significado que sua música e sua figura (aliadas à performance no palco, ao cinema, à moda, ao comportamento, à ousadia, ao experimentalismo) têm para a cultura pop da segunda metade do século passado.
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Os anos 1950 foram extremamente produtivos para Elvis, apesar do serviço militar na Alemanha - uma jogada comandada pelo Coronel Parker, seu empresário. A volta, no disco Elvis Is Back, foi triunfal, promovendo o reencontro do artista com suas fontes.
A década de 1960 seria de filmes medíocres e discos com suas trilhas. Um outro retorno, em 1968, recuperaria a imagem de Elvis e o levaria a uma fase em que gravou grandes discos. O primeiro, e um dos melhores, se chama From Elvis in Memphis.
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A tese tropicalista de entrar em todas as estruturas e sair (inteiro) delas, Bowie viveu intensamente. Do pop mais banal ao experimentalismo mais ousado. Até o jazz que norteara a excepcional Sue, de 2014, que remete ao Milton Nascimento de Cais.
Se me perguntam pelo David Bowie que prefiro, digo que é o dos anos 1970, talvez pelo gosto do olhar contemporâneo. Mas o melhor é ouvi-lo todo. Só o conjunto dará a dimensão do artista extraordinário que ele foi.
*****Elvis Presley vem de regiões profundas da América. Estabeleceu um vínculo raro com milhões de ouvintes, interpretando com um vozeirão kitsch um repertório irresistível para quem nasceu nos Estados Unidos.
Ele não largou as raízes, ainda que as tenha submetido a um verniz que desagrada aos puristas. Com boa vontade, verificaremos que produziu música pop de ótima qualidade numa carreira relativamente curta, iniciada em meados da década de 1950 e encerrada em 1977, com a morte prematura aos 42 anos.
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O Homem que Caiu na Terra é o título de um filme estrelado por David Bowie. Príncipe de outro planeta foi como o New York Times chamou Elvis Presley depois dos shows que ele fez no Madison Square Garden, em 1972.

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