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SILVIO OSIAS

O quinto beatle nasceu há 100 anos

George Martin, que era de 3 de janeiro de 1926, viveu 90 anos.

Publicado em 05/01/2026 às 6:36


				
					O quinto beatle nasceu há 100 anos
Foto/Reprodução.

No primeiro dia do ano de 1962, em Londres, os Beatles fizeram um teste na Decca. Foram reprovados. O cara da gravadora disse a Brian Epstein, o empresário deles, que não acreditava no futuro dos conjuntos de guitarras.

Seis meses mais tarde, outra vez em Londres, os Beatles fizeram um teste na EMI. Foram ouvidos por George Martin, responsável pelo selo Parlophone.

George Martin não se entusiasmou muito com o que ouviu, mas enxergou algo neles. E foi esse "algo" que levou Martin a contratar os rapazes.

Em 1962, quando contratou os Beatles, George Martin tinha 36 anos. Além de produtor musical, era músico. Compunha, arranjava, regia, tocava piano.


				
					O quinto beatle nasceu há 100 anos
Foto/Reprodução.

George Martin e os Beatles seguiram juntos por toda a década de 1960. Os Beatles não seriam o que foram sem Martin. Martin não seria o que foi sem os Beatles.

Os Beatles eram quatro. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Ou, se quisermos, cinco. George Martin era o quinto beatle.

Neste sábado, três de janeiro de 2026, foi o centenário de nascimento de George Martin. Ele morreu em março de 2016, dois meses depois de fazer 90 anos.

George Martin acompanhou de perto a evolução musical dos Beatles e, sobretudo, como autores, de John Lennon e Paul McCartney, que dividiam o comando do grupo.

George Martin foi o tradutor das ideias musicais dos Beatles. "Eu quero algo que pareça com Bach", pedia John Lennon antes de gravar In My Life. E lá vinha Martin com aquele solo barroco de piano, que ele mesmo compôs e executou.

As cordas, os metais e as madeiras, as formações camerísticas, uma grande orquestra, um quarteto disso, um quinteto daquilo, longos caminhos que podiam começar no barroco e terminar no contemporâneo - tudo isso, Martin colocou nas mãos dos Beatles.

O som dos Beatles é o casamento perfeito do som dos Beatles, um conjunto de rock, com o som de George Martin, um músico de formação e um grande produtor de discos.

Paul McCartney, com seu ego tão gigantesco quanto o talento musical que tem, gosta de diminuir o tamanho da presença George Martin na história dos Beatles. "Por que ele não fez o mesmo com outros artistas que produziu?" - questiona Paul.

Bobagem. Não fez porque os outros não eram tão bons quanto os Beatles. Mas isso não quer dizer que os Beatles prescindiriam do auxílio luxuoso de George Martin.

Nós que amamos os Beatles também amamos George Martin. E admiramos sua elegância e seu modo sempre discreto de atuar ao lado dos quatro rapazes.

O lado autoral de George Martin foi ofuscado pelo tempo que os Beatles lhe tomaram. Há música de cinema e peças de gosto erudito. Peperland, que ele escreveu para o desenho animado Submarino Amarelo, mostra o quanto compunha bem.

Na segunda metade da década de 1990, quando já enfrentava severa perda auditiva, George Martin fez um disco-testamento. In My Life reúne canções dos Beatles recriadas por Martin e entregues a amigos e amigas dele, gente da música e do cinema.

É bonito e comovente como retrato dos Beatles tirado por Martin na velhice. Contém saudáveis ousadias (Jim Carrey fazendo I Am The Walrus) e curiosas transgressões (Goldie Hawn cantando A Hard Day's Night como um standard jazzístico).

Em 2006, no álbum Love, George Martin fez o que só ele tinha autoridade e direito de fazer. Ao lado de Giles, o filho que também é produtor musical, pegou as canções dos Beatles e experimentou fusões, colagens, reedições, recriações, invenções improváveis - coisas que nem ele nem os Beatles imaginaram na década de 1960.

Trilha de um espetáculo do Cirque du Solei, Love não é só sobre a genialidade dos Beatles. É muito - e também - sobre a genialidade de George Martin.

Há muitos retratos possíveis do maestro. No seu centenário, sugiro a audição de Love como forma de reverenciá-lo por toda a beleza musical que legou ao mundo.

Foto/Reprodução

Silvio Osias

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