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SILVIO OSIAS

Quer dizer que Ronaldo Caiado agora é da direita democrática?

Político de Goiás vem de longe, desde os tempos da União Democrática Ruralista.

Publicado em 05/02/2026 às 7:39


				
					Quer dizer que Ronaldo Caiado agora é da direita democrática?
Foto/Reprodução.

O governador Ronaldo Caiado, de Goiás, trocou o União Brasil pelo PSD de Gilberto Kassab. Ele sonha com uma candidatura a presidente em outubro que vem.

Ronaldo Caiado está com 76 anos e tem uma longa trajetória política. Quando tomei conhecimento da sua existência, em 1989, Caiado tinha 40 anos.

Direita democrática. Vi, entre comentaristas políticos, o nome de Ronaldo Caiado ser associado a essa ideia de uma candidatura pela direita democrática.

Uma candidatura que pudesse ser classificada como da direita democrática, obviamente, seria uma opção a uma candidatura bolsonarista, como a de Flávio Bolsonaro.

O curioso é ver Ronaldo Caiado aparecendo como um possível candidato a presidente pela direita democrática. Isso me faz voltar no tempo, ao final dos anos 1980.

O Brasil passou três décadas sem eleição direta para presidente. Tivemos Jânio Quadros, em 1960, e só retornamos ao voto direto, com Fernando Collor, em 1989.

Entre Jânio Quadros e Fernando Collor, todos sabem, houve uma ditadura militar de 21 anos durante a qual o Brasil foi governado por cinco generais que o povo não elegeu.

A eleição presidencial de 1989 teve mais de 20 candidatos. Veteranos das lutas democráticas, como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Mário Covas, e gente de direita, como Paulo Maluf, disputaram o voto do eleitor no dia 15 de novembro.

Fernando Collor, de 40 anos, e Lula, de 44, disputaram o segundo turno no dia 17 de dezembro, e Collor venceu, iludindo o eleitor com a imagem do caçador de marajás.

Foi na eleição presidencial de 1989 que Ronaldo Caiado começou a conquistar dimensão nacional. Ele estava entre os muitos que se apresentaram na disputa presidencial.

Como outros que disputaram aquela eleição, Caiado não entrou no jogo para ganhar. Caiado entrou no jogo para se apresentar, para conquistar espaço na cena política.

O eleitor mais jovem, naturalmente, não foi testemunha do processo eleitoral de 1989. E, entre quem foi, muita gente não tem a lembrança da presença de Ronaldo Caiado.

Eu tenho. E ela é muito nítida. Ronaldo Caiado era o candidato da UDR. A UDR era a União Democrática Ruralista, o outro extremo do debate sobre a reforma agrária, posto em pauta pelo próprio governo de transição do presidente José Sarney.

A despeito do "democrática" que ostentava no nome, de democrática a UDR não tinha absolutamente nada. Era, reconhecidamente, uma entidade de extrema direita, associada, por vezes, a episódios de violência no campo.

Ronaldo Caiado - depois senador da República e governador de Goiás - vem do advento da UDR e, mais do que isso, esteve à frente da União Democrática Ruralista.

Ronaldo Caiado não se projetou como representante de uma direita democrática. Direita democrática era José Sarney. Caiado, desde o início, esteve na extrema direita.

É claro que o tempo deu um certo verniz a Ronaldo Caiado. O jovem impetuoso da eleição de 1989 foi sendo substituído por um político que se mostra mais afeito ao diálogo, menos agressivo, necessariamente mais treinado para os embates do jogo político.

Mas Ronaldo Caiado não migrou da extrema direita para uma direita democrática. Como candidato a presidente, se vier a ser, ele pode até receber o carimbo de representante de uma direita que se opõe ao bolsonarismo. Democrática, jamais.

Foto/Reprodução

Silvio Osias

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