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SILVIO OSIAS

Revolver, 60 anos

Sétimo álbum dos Beatles foi lançado em agosto de 1966.

Publicado em 06/08/2026 às 6:51


					Revolver, 60 anos

No primeiro dia do ano de 1962, os Beatles, já empresariados por Brian Epstein, fizeram um teste na gravadora Decca, em Londres. Foram reprovados.

Em junho de 1962, os Beatles fizeram um novo teste. Dessa vez, e também em Londres, tocaram para George Martin, que atuava no selo Parlophone.

Músico de formação, maestro, arranjador, compositor, produtor, George Martin, então com 36 anos, não gostou muito do que viu e ouviu durante o teste.

Não gostou muito da música. Achou tosca, rudimentar. Mas se deixou guiar por uma intuição: havia "algo" naqueles rapazes. Por isso, decidiu contratá-los.

Somente quatro anos separam a audição dos Beatles com George Martin do álbum Revolver, sétimo disco de estúdio deles, agora completando 60 anos.

Quatro anos e um gigantesco salto qualitativo. Talvez o "algo" que guiou George Martin na audição de junho de 1962. E viabilizou a contratação dos Beatles.

O primeiro single dos Beatles - Love Me Do/PS I Love You - é de outubro de 1962. O primeiro álbum - Please Please Me - é de março de 1963.

A chegada à América, com I Want To Hold Your Hand no topo das paradas, foi em fevereiro de 1964. Depois, veio a explosão em escala planetária.

Os Beatles são adoráveis desde o começo. Desde a ingenuidade dos primeiros álbuns, sob a histeria da Beatlemania. Mas, no meio, há um "corte" impressionante.

Esse "corte" foi tema de entrevistas que George Martin deu mais tarde, quando o grupo já não existia mais. Resume-se na velocidade da evolução musical deles.

É difícil imaginar que os Beatles que cantavam Love Me Do em outubro de 1962 são os mesmos Beatles que cantavam Eleanor Rigby em agosto de 1966.

Essa evolução foi sendo construída. A Hard Day's Night, o terceiro álbum, já vai um pouco além de Please Please Me e With The Beatles, que são os dois primeiros.

Mas é no sexto disco - Rubber Soul, 1965 - que a gente não tem mais dúvida de que os Beatles estavam em acelerado processo de mudança. Aí, vem Revolver.

Revolver coincide com o momento em que os Beatles abandonaram de vez as turnês. Revolver dá início à fase em que os Beatles se trancaram no estúdio.


					Revolver, 60 anos
Foto/Reprodução.

A capa, icônica, foi desenhada por Klaus Voorman. Artista visual e músico, Voorman foi um amigo que os Beatles fizeram em Hamburgo, ainda anônimos.

Revolver tem o George Harrison de Taxman, Love You To e I Want To Tell You. Tem o John Lennon de I'm Only Sleeping, She Said, She Said e Tomorrow Never Knows. E tem o Paul McCartney de Eleanor Rigby, Here, There and Everywhere e For No One.

Revolver tem sons extraordinariamente novos no pop/rock. Tem os loops de fita que George Martin e o engenheiro Geoff Emerick ajudaram a montar. Tem o sitar que Ravi Shankar ensinava George a tocar. Tem as cordas de Eleanor Rigby.

Revolver tem o horn de For No One e as guitarras incríveis de Taxman, I'm Only Sleeping, She Said, She Said, And Your Bird Can Sing e Tomorrow Never Knows.

Revolver tem melodias formalmente belas (For No One, de Paul), mas também tem melodias estranhamente belas (She Said, She Said, de John).

Revolver tem desempenhos vocais maravilhosos. Paul solo. John Solo. George solo. E tem ainda a inigualável e única harmonia de quando eles cantavam juntos.

Revolver tem Ringo Starr cantando a marcha Yellow Submarine, um dos grandes sucessos dos Beatles. Título, dois anos mais tarde, de um filme de animação

Revolver tem Paul flertando explicitamente com a soul music em Got To Get You Into My Life,que muitos pensam ser para uma mulher, mas é sobre a maconha.

Revolver consolida, em definitivo, o talento criador dos Beatles e abre caminho para Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, o álbum que lançariam em 1967.

Sgt. Pepper é o álbum mais importante dos Beatles. Sgt. Pepper é o álbum mais importante da história do rock. Mas tem muita gente que prefere o Revolver.

Imagem ilustrativa da imagem Revolver, 60 anos

Silvio Osias

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