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SILVIO OSIAS

Tatuei a capa de Geraes no meu braço esquerdo

Álbum de Milton Nascimento foi lançado há 50 anos.

Publicado em 24/02/2026 às 9:43


				
					Tatuei a capa de Geraes no meu braço esquerdo
Foto/Reprodução.

Aderi às tatuagens depois que fiquei velho. Tenho 10 nos meus braços. Alguém já disse que é um mini catálogo de coisas que me são muito caras. É verdade.

Uma dessas tatuagens é a capa do álbum Geraes, de Milton Nascimento. O trenzinho, as montanhas de Minas e o sol. Um desenho infantil e lindo.

Geraes está fazendo 50 anos agora em 2026. No ano passado, quem fez 50 anos foi Minas. Minas Geraes - os dois se completam e parecem formar um só álbum.

"Velho Chico, vens de Minas/De onde o oculto do mistério se escondeu". É Caetano Veloso na letra de O Ciúme, uma toada com jeito das velhas toadas do Nordeste.

Serve para Milton Nascimento. Ficaria assim: "Milton, vens de Minas/De onde o oculto do mistério se escondeu". Milton é um mistério que vem das Minas Gerais.

Milton Nascimento nasceu no Rio, perdeu a mãe ainda muito pequeno e foi adotado por um casal que o criou em Minas. Para todos o efeitos, ele e sua música vêm de Minas.

Sete álbuns, lançados entre 1970 e 1978, são a melhor síntese da música de Milton Nascimento. Do disco com o Som Imaginário ao duplo Clube da Esquina 2.

Nesse percurso, há o primeiro Clube da Esquina (1972), dividido com o garoto Lô Borges, o Milagre dos Peixes de estúdio (1973), violentamente censurado pelo regime militar, há Minas (1975) e Geraes (1976). Todos lançados pela Odeon.

Nesses anos de sua carreira, Milton Nascimento agrupou seus amigos num quase movimento chamado Clube da Esquina e começou a encontrar o sucesso.

Mas o essencial é que, de 1970 a 1978, Milton Nascimento criou uma coisa nova na música popular brasileira. O som de Milton Nascimento não se enquadra em nenhum rótulo. Chama-se Milton Nascimento. Foi inventado por ele.

O extraordinário talento de Milton foi logo percebido por seus colegas músicos brasileiros e também por grandes músicos estadunidenses do universo jazzístico.

Mas a conquista do público no Brasil foi lenta. Na verdade, só se deu a partir de Minas, lançado quando o artista já tinha oito anos de carreira e sete álbuns.

O agora cinquentenário Geraes é desse momento. Tem Chico Buarque, Mercedes Sosa e Clementina de Jesus dividindo faixas com Milton, tem os amigos do Clube da Esquina e traz, explicitamente, o vínculo de Milton com a música latino-americana.

Geraes traz tanto o autor quanto o intérprete. Tem a sua Menino e o Chico de O Que Será. Tem a sua Promessas do Sol e a Violeta Parra de Volver a los 17.

Tem o Nelson Ângelo de Fazenda, o Toninho Horta de Viver de Amor e o Novelli de Minas Geraes. Tem Fernando Brant e Ronaldo Bastos, parceiros letristas de sempre.

Adaptado por Tavinho Moura, o tema folclórico Calix Bento, ganhou o belo adorno da sanfona de Dominguinhos. Enquanto a introdução que Francis Hime criou para O Que Será foi enriquecida por assombroso vocalise de Milton Nascimento.

Minas cresceu com o passar das décadas. Geraes cresceu com o passar das décadas. São dois tesouros da música popular brasileira. Todas as canções eternamente.

Foto/Reprodução

Silvio Osias

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