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SILVIO OSIAS

Totalmente apaixonado pelo Agente Secreto

No século XXI, Kleber Mendonça Filho confirma a força cultural de Pernambuco.

Publicado em 28/01/2026 às 6:44


				
					Totalmente apaixonado pelo Agente Secreto
Foto/Divulgação.

José Osias de Paula Homem. Em 1920, ele saiu de Olinda para brincar o carnaval em Bananeiras, na Paraíba. Foi onde conheceu Antônia Stella dos Santos Salles.

Ele e ela viveram um amor de carnaval. Em maio, estavam casados. Em fevereiro de 1921, tiveram Ofélia, a primeira filha. Ele era de 1894. Ela era de 1899.

Seu Osias era meu avô materno. Vêm dele e da sua família do Recife e de Olinda o meu vínculo com Pernambuco e, mais tarde, a descoberta das suas tradições culturais.

Meu avô Osias gostava de dizer que era nobre. Descendia do Barão de Lucena. Falido, Henrique Pereira de Lucena ficou conhecido como "o barão do nada tem".

"A escravidão permanecerá/Por muito tempo/Como a característica nacional/Do Brasil". Eu adorava meu avô, mas ser escravocrata era talvez o seu maior defeito. Por isso, abri o parágrafo com essa citação de Joaquim Nabuco, grande pernambucano.

É prosa, mas está em forma de verso porque ganhou melodia de Caetano Veloso. Joaquim Nabuco, abolicionista, mais do que pernambucano, um grande brasileiro.

Eu sou da Paraíba, mas adoro Pernambuco. A minha formação, na juventude, passa pelas incontáveis idas ao Recife, a metrópole que me abasteceu culturalmente.

Mencionei Joaquim Nabuco, mas posso mencionar Gilberto Freyre. Era de direita, mas escreveu Casa Grande & Senzala, essencial entre os livros que explicam o Brasil.

Mencionei Nabuco e Freyre, mas posso mencionar Nelson Rodrigues. Viveu no Rio, mas nasceu no Recife. Escritor genial, cronista genial, dramaturgo extraordinário.

E os poetas? Manuel Bandeira era pernambucano do Recife. João Cabral de Melo Neto também era pernambucano do Recife. Assim como Carlos Pena Filho.

Josué de Castro era outro pernambucano nascido no Recife. Nos anos 1970, a gente lia a sua Geografia da Fome escondida - para a ditadura, um livro subversivo.

Paulo Freire, mais um pernambucano do Recife. Freire e sua Pedagogia do Oprimido. Meu professor Jomard Muniz de Britto trabalhou com Freire, alfabetizando adultos.

Por causa do vínculo com Paulo Freire, Jomard foi preso logo após o golpe de 64. No dia em que foi solto, viu Deus e o Diabo na Terra do Sol no Cine Trianon.

Pernambuco inventou o frevo. O frevo de Nelson Ferreira, Levino Ferreira e Capiba. O frevo do maestro Duda, agora com 90 anos, e do inovador Carlos Fernando.

Luiz Gonzaga era pernambucano de Exu. Meu Deus do céu! Esse foi gigantesco. Inventou o baião e colocou o Nordeste no mapa da música popular brasileira.

Abelardo da Hora era pernambucano de São Lourenço da Mata. Cícero Dias, de Escada. Francisco Brennand, do Recife. Naná Vasconcelos, reconhecido internacionalmente como um dos maiores percussionistas do mundo, era do Recife.

Miguel Arraes, pernambucano de Araripe, foi um dos grandes políticos brasileiros. O presidente Lula é pernambucano nascido na absoluta pobreza em Garanhuns.

Quase não chegava na música popular, dos anos 1970 pra cá. Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Lenine, Chico Science. Um post como esse está, certamente, cheio de lacunas.

Mas é tudo memória. Desde a história do meu avô, um anônimo, até todos essas notáveis figuras que fizeram e seguem fazendo de Pernambuco um estado tão importante.

Dizem, muito comumente, que os pernambucanos são "bestas" com Pernambuco. Não gosto desse debate, mas, se são, tenhamos certeza de que estão cobertos de razão.

Estou totalmente apaixonado pelo Agente Secreto, esse filme imenso de Kleber Mendonça Filho, pernambucano do Recife. Já fui seis vezes ao cinema ver o filme.

Esse post não é sobre, mas é por causa de O Agente Secreto. No primeiro quarto do século XXI, Kleber é o maior representante da potência cultural de Pernambuco.

Foto/Divulgação

Silvio Osias

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